quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

RIP

Depois de muito pensar o que diabos eu faria com esse blog, decidi por bem que era melhor terminar.

Mas como sou teimosa, migrei pra um lugar muito mais fofinho: o Dona dos Gatos.

Me visitem lá <3

sábado, 15 de agosto de 2015

Vamos Falar de Filmes Ruins #4

Nesse meio tempo em que passei fora, houve muito a dizer. Fiz mudança de uma casa pra outra, perdi um saco cheio de coisas importantes que nunca nessa vida vou recuperar (agendas com valor sentimental e tudo o mais), mas também vi alguns filmes, pois ninguém é de ferro. E se tem algo que me acompanha nessa grande jornada estranha que é a vida são filmes ruins.

Ontem foi um desses dias em que simplesmente cansei de fazer tarefas importantes como jogar conversa fora no Facebook pra dar atenção à minha mãezinha que chegou em casa com filmes novos.

- Olha, comprei esse filme aqui porque achei bem interessante.
- Legal, é com aquele ator que sempre faz papel de gente esquisita e com fobia social, né.

Duplo: Um filme que consegue ser PIOR que Dogville - e esse é um filme bem ruim
Consegue ser pior que a visão do Nicolas Cage em todos os desenhos da Disney

Achou bizarro? Veja mais aqui.
Antes que me crucifiquem por ter falado mal de Dogville e de toda a genialidade pseudo cult do Lars Von Trier, devo dizer que: sim, não tenho paciência pra filme que não tenha linguagem no mínimo próxima do mainstream. Não faço faculdade de cinema e não sou obrigada MESMO. Digo com todas as letras que o único filme que gostei do Lars Von Trier foi Ninfomaníaca, e falo isso sem peso no coração porque OLHA, SÉRIO, QUE PUTA FILME CHATO ESSE DOGVILLE. 

Ok, vamos falar de Duplo. A premissa é: um cara, Simon James (Jesse Eisenberg), está apaixonado por sua colega de trabalho Hannah (Mia Wasikowska - fui dar um Google nesse nome porque ô nome difícil, né minha filha), mesmo sem nunca ter falado com ela. Simon não tem amigos, não leva jeito pra interações sociais simples, não é notado no trabalho, e até sua mãe, uma senhora idosa e senil, não gosta dele. Ou seja, o cara está na merda. Como se não bastasse, um belo dia chega ao trabalho um novo empregado totalmente diferente dele: extrovertido, amado pelos colegas, com atitude e jeito para mulheres. É CLARO que o cara, James Simon, é um duplo dele - algo tão, mas tão explorado no cinema que o roteiro parece ter sido uma colcha de retalhos de uns mil outros filmes sobre o gênero. A tensão começa no momento em que Simon é o único que vê a semelhança entre ele e James.


O começo é extremamente empolgante, confesso, pois o cenário é atemporal e futurista. Porém a genialidade disso passa longe, já que parece ser uma cópia mal feita de Laranja Mecânica. A música também é um tanto quanto curiosa: escolheram várias músicas japonesas que lembram a década de 70, e elas deixam a narrativa muito engraçada. Ok, essa parte é bem legal. E muitas das vezes o som dos violinos se mistura ao som de máquinas, ruídos urbanos e outros sons depressivos que compõem a imagem.

Mas, mesmo com pontos positivos, por que Duplo entrou na sessão do Vamos Falar de Filmes Ruins?
Resposta: porque eu quis.
Não, brincadeira!
Porque Duplo deixa no ar uma série de perguntas sem resposta ao longo de 90 minutos. Talvez isso seja o que mais me irrite em filmes que fogem à lógica mainstream (não que filmes mainstream não estejam sujeitos a levantarem perguntas sem resposta, vide Inception e seu final que me dá raiva, mas isso é mais frequente em filmes fora do grande circuito comercial). Não tem nada que eu deteste mais que um monte de simbologia que aparece na tela e você fica tentando adivinhar o que tudo isso quer dizer. E às vezes não quer dizer NADA.
Tem umas cenas em que aparece uma galinha sendo morta ou sei lá, o filme acabou e ainda não vi ligação alguma da galinha com o resto do filme. Também introduziram uma senhora muito. estranha. do mesmo asilo da mãe de Simon que virava pra ele e dizia algo como "Você é um rapaz muito esquisito" e essa foi a grande frase de efeito dela (?????). Nossa, aparecem outras coisas tão bizarras que não tenho nem como descrever para vocês de forma fidedigna: um padre que mais parece o anticristo, pessoas bizarras que trabalham para a polícia, a própria Hannah que parece não comer direito há meses.
Fora isso tem algo que me irrita muito em Simon: ele não gosta simplesmente da Hannah. Ele a persegue. Observa a moça dia e noite. Mora na frente da casa dela e tem UM MALDITO TELESCÓPIO APONTADO PRA JANELA DELA. Ele vasculha o lixo dela!!! Isso não é gostar, isso é ser stalker.

Vejam, muita gente assistiu e disse NOSSA, QUE FILME GENIAL. Sinceramente? Nessa temática de duplicidade e loucura, sou muito mais Fight Club que pelo menos tem o Brad Pitt sem camisa  com a cara toda arrebentada batendo nos outros - não há tantas definições de paraíso equivalentes.

+ Brad Pitt
- Jesse Eisenberg

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Uma carta de despedida

Uma vez prometi a mim mesma que nunca mais escreveria com raiva. De fato, isso durou muitos anos. Qualquer rascunho sobre minha vida amorosa ou sobre a relação com a minha família era descartado, queimado, mandado pra lixeira ou para a estratosfera. Sobrevivi a essa promessa, e digamos que tenho cumprido com afinco, já que sinto raiva quase cem porcento do meu tempo. Então, quando fico bem puta da vida, saio quebrando as coisas que estão no meu caminho, gritando e explodindo como sempre faço. Não escrevo nada.
Dessa vez o que aconteceu não foi exatamente uma explosão. Foi um desabafo, mesmo que dito em poucas palavras.
Eu gosto de mulheres. Eu nasci assim.
E às vezes, se eu me concentrar, consigo sentir o cheiro da chuva que caía quando tive coragem de dizer isso em voz alta pela primeira vez, na frente de outras pessoas. O dia era cinza e os carros passavam como vultos por nós dois. A água da chuva se misturou com as águas dos meus olhos, que jorravam e caiam majestosa e silenciosamente na pele febril. 
Não é raiva. Dessa vez é tristeza. Daquelas profundas, cujo pensamento me acompanha ao longo de dias, meses e anos. Reside aqui a vontade de pertencer a outro corpo, ser outra pessoa por um dia ou dois. Uma carência de algo que recebi um dia, mas que hoje só restou a lembrança: amor. Não me refiro ao amor romântico dos filmes com o Matthew McConaughey, mas o amor mais puro e simples de uma pessoa para a outra. Pai e filha. Depois dos doze anos, passei a aguardar ansiosamente o dia em que eu seria abraçada de verdade, e nesse dia não haveria nada mais entre nós além de um amor sincero. Então esperei, esperei e esperei. Fitei a janela milhares de vezes esperando você chegar, me pegar no colo e dizer:
- Está tudo bem, criança.
Por vezes, tentei nos aproximar. Aprendi a tocar violão porque você tocava. Ouvi Legião Urbana porque você ouvia. Assisti Matrix e memorizei cada diálogo de cada cena, porque tudo isso fazia sentido para você.
Nada disso aconteceu. Aos quase vinte e um anos, percebi o quanto isso é difícil. Estou fadada a odiar todos os meus aniversários, todos os dias dos pais, todos os feriados. E quando todos estiverem reunidos em volta da mesa, analisando cada pedacinho da ceia natalina, estarei num canto escuro da sala segurando na mão esquerda uma taça de vinho e desejando profundamente mergulhar nela até não restar mais nada. Não terei filhos, pois a ideia de odiar os próprios filhos como você me odeia parece assustar mais do que qualquer fantasma. Todos os dias, depois de uma longa jornada de trabalho, deitarei no travesseiro e pensarei com meus botões: é assim a vida adulta?
Isso não é justo, ou ao menos não parece ser. Você segue os ensinamentos de Jesus Cristo, salvador de todas as almas, e ele diz:
- Amai ao próximo como a ti mesmo.
Tem uma parte sobre honrar o pai e a mãe sim, e talvez seja justamente esse o problema. Honrei meu pai e minha mãe? Para você, não.
Mas fiz tudo que estava ao meu alcance. Achei que seria uma boa fugir ao óbvio da eterna adolescente rebelde e passar a seguir os conselhos dos pais: terminei o ensino médio com distinção, entrei numa faculdade boa, não fui mãe adolescente, não tive namorados problemáticos, não uso drogas ilegais, tenho um plano de vida concreto e sonhos de grandeza. Sou bem heteronormativa: uma garota que faz as unhas, depilação, hidratação no cabelo, usa vestidinhos floridos e maquiagem. Bem feminina. Só não consegui ser a filha perfeita, pois enquanto tudo acontecia dentro da normalidade, por baixo dos panos tive algumas experiências pouco católicas com outras moças da minha idade. Reprimi tudo isso, castiguei meu corpo e minha alma, para fazer a vontade de uma pessoa que deveria me amar incondicionalmente. Agora você me pune moralmente porque quer que eu seja outra pessoa. Você não é cristão e nunca será. No futuro, talvez você olhe a família reunida no fim de ano, e a pergunta silenciosa será: por que ela não está aqui com a gente?
E já respondo de antemão: porque estou triste e sempre ficarei assim quando lembrar de você, de todas as coisas ruins que você me disse. E cada vez que eu tiver chance de fugir de você, farei. Juro que não é raiva. E o mais importante: não se preocupe, o castigo divino já me proporcionou a vida de merda que você provavelmente deseja pra mim. Quando saio pro mundo, quando tenho que encarar outras milhares de pessoas que pensam exatamente como você, levo as chibatadas nas costas. Elas cospem em mim, me xingam, me mandam para o inferno. Porém, elas não são minha família. Não me viram crescer. Não moram comigo, então não fazem diferença alguma. No seu caso, essa foi a maior apunhalada que eu poderia ter recebido em vida. Para você, eu não passo de um câncer, a escória da humanidade. Você viu meus olhos se fecharem para que meu corpo pudesse ser entregue ao Deus da Morte.

Você perdeu sua única filha.