sábado, 17 de março de 2012

Desabafo de quem escreve

Ao escrever, tento captar todos os tipos de emoções que podemos sentir e mostrar. Procuro tentar entender com exatidão o porquê de sermos tão complexos. Dedico parte do meu tempo até para tentar achar respostas às minhas próprias ações nesse mar de palavras que podem me descrever. Algumas coisas, no entanto, parecem escapar rápidas demais pra minha mão no papel. Então fico ali, com o passar dos minutos, pensando no motivo das minhas indagações pessoais, da minha dor, dos risos mais altos. Sinto-me egocêntrica ao usar meu próprio corpo como objeto de estudo, mas preciso infinitamente entender o que estou fazendo aqui nesse mundo. No papel velho, escrevo, escrevo, escrevo e escrevo. E digo absolutamente nada.
Chego a conclusões precipitadas. Diminuo-me a medida que as horas vão passando. Sou inútil sem sequer notar que sirvo, sim, a alguém. Sou necessária, assim como água, mesmo com todas as minhas indagações, dores e risos estridentes em momentos não propícios. Acho que nenhum de nós percebe o quanto a gente faz alguém, quem quer que seja, feliz. Ficamos muito preocupados tentando entender algumas coisas que não precisam ser entendidas. Não percebemos coisas que precisam ser percebidas. No exato instante, noto que esqueci de captar pequenos elementos que poderiam fazer parte de uma grande narração de emoções sucessivas em um texto amador. Noto que nunca reparei em pequenos gestos da vida, como um toque suave, um sorrisinho tímido e umas mãos trêmulas no meu corpo. São diminutas descobertas que acabo de saborear, e as amo!
Agora escrevo sobre um sentimento mais profundo que o amor, aliás. Escrevo sobre uma sensação muito agradável de ter alguém com quem compartilhar tudo o que você pensa e sente. Alguém pra completar suas palavras, e pra abrir os braços quando você quiser um abraço apertado e quente. Alguém para oferecer os lábios e o cheiro como consolo, ou apenas a presença contínua. Não preciso mais escrever para mim mesma. Agora posso (tentar) expressar em palavras algo sobre alguém para ter perto de si sem esperar nada em troca. Entretanto, sei que como escritora amadora não consigo passar para o papel um sentimento tão silenciosamente magnífico.