terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Uma retrospectiva básica

A pessoa resolve postar no penúltimo dia do ano e COMO SE NÃO BASTASSE resolve fazer o post mais clichê de todo o universo dos blogs: retrospectiva. Eu sei, eu sou péssima. Poderia ter postado antes, sobre outro assunto menos entediante, mas digamos que eu entrei de férias há exatos dez dias e a ficha ainda não caiu que eu passei em absolutamente todas as disciplinas em que eu estava matriculada e já estou pronta para o que vem em 2015. Daí, alguns parentes vieram passar uns dias na minha casa, e isso tem tomado tooooooodo o meu tempo.
Vamos ao que interessa: O fato é que o ano de 2014 trouxe certas mudanças que, numa licença poética, foram retroativas, no sentido de que refletiram em mim até mesmo nas minhas atitudes de antes. Acho que finalmente posso dizer que estou bem comigo mesma, com as sensações que vivi e tenho vivendo, com as tarefas com que venho me ocupando e isso me deixa bem - ou pelo menos estável. Esse ano foi um grande acontecimento porque eu finalmente consegui encontrar minha essência, fazer uma reflexão benéfica sobre o passado e planejar meu futuro.

~UI, FERNANDA, COMO VOCÊ ESTÁ PROFUNDA~
Sim.

FACULDADE

Não sei nem o que dizer de uma imagem que me descreve tão bem na faculdade.

Eu descobri que o céu e o inferno caminham juntos nesse lance chamado Ensino Superior. Ao mesmo tempo em que eu cheguei à conclusão de que escolhi corretamente que curso fazer, vejo um caminho em cima de uma corda bamba de notas, professores extremamente irritantes, colegas de classe desnecessários, amizades verdadeiras, falta de dinheiro, ônibus, cachaça, pizza e preocupação com CR. O fato é que mesmo com todos os problemas, eu AMO fazer Direito por diversos motivos: eu finalmente estou entendendo o que estou estudando - VITÓRIA DO POVO DE DEUS, no ensino técnico eu estava mais perdida que cego em tiroteio, não entendia porcaria nenhuma de matemática e física e escorregava em lógica de programação. Ler um texto e ENTENDER foi totalmente novo pra mim. E eu passei três anos da minha vida respirando e vivendo o vestibular, completamente perdida e com medo de dar tudo errado. O ano de 2013 foi o mais problemático em termos de estresse, já que eu chorava em cima dos livros de química e o mimimi sobre ter escolhido um curso muito concorrido somada à possibilidade de não passar em universidade nenhuma. E depois de ver meu nome em várias listas - PUTA QUE PARIU, EU PASSEI NESSAS MERDAS TODAS - veio 2014 e o alívio de fazer o que gosto. É bom.


APARÊNCIA

Me deixa... eu sou um leão RAWR

Esse ano também foi emblemático pelo fato de eu ter - FINALMENTE - entendido que eu não preciso sofrer pra me sentir bonita. E quando eu digo sofrer, refiro-me aos procedimentos estéticos em excesso - isso inclui todas as merdas que eu passava no cabelo achando que ele ia ficar melhor alisado - e a obsessão por manter determinado peso. Passei a vida inteira me importando com meu peso, com meu cabelo, com a minha cor, com as atitudes que as pessoas esperam de pessoas fora do padrão como eu. Decidi que essas coisas não vão mais importar pra mim, porque grandes verdades da vida me rodeiam:

1. Eu gosto muito de doces.
2. Meu doce preferido é brigadeiro.
3. Não abro mão de tomar banho de piscina.
4. Não sei nadar borboleta e peito.

E eu não abro mão dessas verdades só pra pesar 55kg e ter o cabelo liso ou ~domado~ como se isso fosse uma grande vantagem no mundo. Não sou obrigada.


SEXUALIDADE

Vai ter ditadura LGBT sim, se reclamar vai ter DUAS.

Se tem uma coisa que me deixou A VIDA TODA GRILADA foi a confusão mental que se instaurou em mim quando eu percebi, aos 10, que eu gostava de meninas. E que eu gostava de meninos. E que não tinha nada de errado com isso. Esse assunto entra no campo dos mamilos - muito polêmicos -, mas eu preciso colocar pra fora essa constatação novamente (digo "novamente" pois já escrevi sobre isso, extremamente revoltada, nesse outro post): EU SOU BISSEXUAL. Não estou aguentando o tanto de preconceito que toda a comunidade LGBT tem que passar em pleno século XXI, não pretendo mais me esconder embaixo de uma capa da invisibilidade hétero, saindo apenas com homens por puro medo de decepcionar ou ferir a moralidade de outras pessoas. Esse ano que termina me ensinou que eu não tenho que ter vergonha de ser quem eu sou, nem de fazer as coisas que me deixam satisfeita comigo. Não só com relação à sexualidade, mas absolutamente tudo. Todo mundo merece ser feliz e isso é mais do que fato. Eu mereço, você merece, até mesmo sua vizinha chata que coloca Pablo no último volume merece ser feliz e não ser julgada por coisas que acontecem na vida privada dela. Vamos parar de cuidar do que as pessoas fazem com sua própria genitália? Grata!


MINHAS IDEIAS

Eu shippo Karl Marx e Friedrich Engels, nem deus poderá me julgar pois sou ateia, 13bjs.

Tenho amadurecido muita coisa que eu já pensava desde muito tempo e só agora criei coragem para dizer as coisas que eu penso sem medo de ser mal interpretada. Aliás, caguei se serei mal interpretada. Tenho muito orgulho de estar seguindo os passos da minha mãe com relação a isso - que desde cedo é militante feminista de esquerda - e poder usar minha futura formação em Direito pra fazer as coisas mudarem um pouco pra quem sofre os mais diversos tipos de opressão. Não pretendo me estender muito com relação a isso, já que se eu começar a falar sobre as coisas que eu defendo, esse post vai ter umas quatro mil voltas no tempo e muitas palavras. Eu não tenho muito poder de síntese rs Só quero dizer que briguei com muita gente intolerante - principalmente da faculdade - e fiz novas amizades. Tenho lido, aprendido e vivido.


COMPANHIAS

Tá tendo foto minha com meus amigos ilustrando o post SIM.

Não sei se é consequência dos fatos anteriores, mas eu tenho pensado muito sobre as pessoas com quem eu convivo, e cheguei à conclusão de que devemos nos cercar de quem nos faz bem, e o resto é resto. Fazer amizades não foi coisa exclusiva de 2014, mas aprender a cultivá-las é sim uma novidade. Esse foi O ANO de toda minha vida social, e espero que ano que vem eu possa ficar cada vez mais bêbada com todas as pessoas que eu gosto. Ok? Ok!


ESCRITA

Prometo que vai ter menos página em branco em 2015.

Juro que eu vou parar de querer fugir dos blogs, na moral. Eu sempre digo "chegaaaaa, não quero mais escrever, estou muito ocupada, minha criatividade acabou de vez", mas passa um tempo e eu começo a observar o mundo e escrever sobre ele. Talvez um dia eu publique algo sério com minhas próprias palavras, mas é um talvez muito remoto porque ainda não vejo grandes coisas extraordinárias na minha escrita, mesmo meus pais dizendo "MEU DEUS, VOCÊ TEM QUE PUBLICAR SEU LIVRO". Não levo a sério opinião de pais, porque né... SÃO PAIS, AFINAL!!! A função dos pais, desde que mundo é mundo, é colocar os filhos pra cima. Digamos que eles têm desempenhado bem o papel nesse aspecto.


No mais, eu desejo MUITO que 2015 traga sensações novas, continuidade das coisas boas de agora e muito, mas muito bolo de chocolate mesmo porque abstinência é uma coisa que eu não pretendo passar no ano que virá.
Não desejo mais nada além disso pra mim, porque acho que passagem de ano é uma coisa simbólica. Um dia após o outro é um dia após o outro. Não acredito em nada de grande extraordinário que vai acontecer do dia 31 para o dia 1º, pelo contrário, creio que as mudanças são graduais. Muita moderação ao desejar coisas na virada do ano, porque as metas de fim de ano geralmente não dão certo pra mim, e aliás eu não conheço NINGUÉM que tenha cumprido as metas, vejam só.
De qualquer forma, desejo tudo de bom pra todo mundo que lê meu blog e que o ano de 2015 seja bom pra todo mundo! <3 Obrigada por me acompanharem até aqui e ano que vem tem mais devaneios meus sobre essa coisa chamada VIDA. Beijos da gorda!

Vou deixar essa gif que parece ser de 10 anos atrás aqui no final do post, beleza?

domingo, 23 de novembro de 2014

Um sonho muito louco e TAG sobre blogs

Acreditem ou não, hoje o post não tem lista (EU OUVI UM AMÉM, IGREJA?). Eu estou postando isso porque acabei de acordar e esse sonho/pesadelo foi muito sussa para ser esquecido, por isso vou postar hoje e agora antes que eu me esqueça dele. E também vou responder a uma TAG que a linda Tati Ferrari me indicou fofamente no blog dela <3 Então, PODE VIR COMIGO MONSTRO.

CONTEXTUALIZANDO O SONHO

Ok, eu tenho um professor. Esse meu professor é extremamente inteligente e dedicado na profissão, e principalmente: ama dar aula e exigir MUITO dos seus alunos. Ele é um terror para quase todos, sinceramente. Mas olha, descobri que se eu esquecer a vertente política que ele segue (ele é de direita), juro pra vocês que o considero uma pessoa ÓTIMA. Mesmo! Porque com todo o método espartano que ele nos força a seguir, acabei aprendendo muita coisa até mesmo pra usar nos meus textos, mesmo de cara eu achando gente, que nada a ver postar isso no blog, imagina...
Primeiro, ele nos faz apresentar um seminário cujas regras são: falar no mínimo quinze minutos e no máximo vinte minutos sobre o assunto designado a você; fazer um roteiro e entregar aos colegas maldito dinheiro da xerox. Ele também parece achar importante você praticamente ter nascido falando (coisa que estou em vantagem), porque ele gosta de tirar ponto de quem fica muito nervoso ou gagueja muito na apresentação.

O fato é que eu sonhei com esse seminário, mesmo que eu já tenha me livrado dele nesse semestre. Então, imaginem a seguinte cena: eu estou numa sala escura, com luzes desligadas por conta dos slides. Minha mãe, curiosamente, está na sala de aula pra assistir meu seminário - PRA QUE, GENTE? -. Gravem isso. Eu tive semanas para preparar minha apresentação, um seminário importante porque vale grande parte da minha nota final. Mesmo assim, parece que minha mente já está projetada para que eu seja desorganizada até no sonho. O fato é que eu simplesmente NÃO FIZ NADA e estou dentro de uma sala fechada desesperada porque:

1. Não li meu assunto;
2. Não terminei os slides (consequência do primeiro).

Eu tenho vinte minutos para falar sobre A Evolução dos Direitos dos Animais masoque? e minha mãe fica o tempo todo dizendo "eu falei pra você estudar, agora não dá mais tempo!". Essa grande mulher é minha consciência, e tenho dito. Começo a fazer os slides como quem está fazendo o "número dois", olho pro relógio e constato o óbvio: não dá mais, vou tirar zero. Outra pessoa falaria antes de mim, e eu peço a ela para PELO AMOR DO AMOR, FALAR OS VINTE MINUTOS, mas ela diz que só falará quinze (que espécie de amigos vocês são?). Depois vejo que vou ter que arrumar o roteiro que, curiosamente, está manuscrito não deveria ter impressora no meu sonho e vejo que é o fim mesmo.
Outra curiosidade é que um colega da turma estava apresentando seu seminário. Era engraçado que ele parecia ter achado uma ligação entre o Direito e uma parte do filme Star Wars: Episódio V. E a trilha sonora do trecho que ele pegou do filme era nada mais nada menos que Beyoncé.

Who run the world? Girls!

Sonhos normais na vida de Fernanda.

TAG

Fiquei mega animada em responder a essa TAG porque ela diz muito sobre minha própria pessoa, porque minha existência coexiste com os blogs desde minha pré-adolescência. E foi um tempo ruim, digo desde já.

1. Por que resolveu criar um blog e como começou?
Meu pai achava muito inteligente e útil ter um computador. Isso desde muuuuito tempo, quando eu era praticamente um bebê (meados de 1997 e 1998). Mas depois as coisas ficaram feias e naquela época ter um computador era caro. Fomos morar em Foz do Iguaçu, no Paraná, e lá ele teve a ideia de comprar outro computador, isso dez anos depois do primeiro PC. Eu já tinha uns onze ou doze anos, sei lá, e eu estava numa fase de super negação da minha existência e sofria muito bullying na escola. Foi um período que eu particularmente queria morrer. E ao mesmo tempo eu tinha conhecido o Evanescence (isso mesmo) e as letras diziam muito sobre mim e como eu estava naquele momento. Virei uma fã, daquelas bem chatas mesmo, e resolvi criar um blog pra contar todas as notícias do Evanescence (RS). Daí surgiu o "Evanescence, o blog" que original esse nome e era reconfortante ter alguma coisa pra esquecer da minha existência e focar em outra coisa.

2. Quais os benefícios que o blog te traz?
Com ele eu posso, desde que comecei a ter um blog pessoal, extravasar as coisas que eu penso o dia inteiro e assim limpar minha mente. Meu momento atual "Fernanda de bem com a vida" acaba refletindo muito nos meus textos, mas se vocês lessem os textos de 2012... vocês iam querer me abraçar. 

3. Qual o post mais acessado?
Analisando os posts de 2012 em diante (já do Burlesque Suicide, porque os que estão no arquivo de 2009 e tal são do antigo Nemesis), o mais acessado é A Menina que Não Sabia Nadar, de 2012,  com 106 visualizações. Espelha o período mais "bad vibe" de mim mesma.

4. Você usa as redes sociais?
Uso pessoalmente, mas não criei página pro blog porque acho que ninguém ia curtir rs

5. Como o blog tem evoluído?
Acho que ele, especificamente, evolui porque eu de certa forma superei muita coisa que me incomodava. Hoje eu não faço mais a minha mãe chorar lendo meus textos, só pra citar um exemplo.

6. Já viveu algum fato importante por causa do blog?
Viveeeeer assim vivido não. Mas eu conheci três pessoas muito especiais na minha vida até hoje por causa do blog: Larissa, Marina e Erika (que eu conheci esse ano e já amo).

7. De onde nasce a inspiração para escrever e continuar com o blog?
Sai inteiramente das coisas que eu vivo e observo no mundo.

8. O que você tem aprendido a nível profissional e pessoal esse ano?
Na parte profissional, eu passei três anos sofrendo o pão que o diabo amassou num curso técnico de Informática porque eu pensava em fazer Ciência da Computação justamente porque eu amo editar páginas em html, php, etc. Aprendi a programar de verdade no curso, mas no terceiro e último ano eu decidi fazer Direito porque me envolvi com causas sociais (dentre as quais o movimento negro e o feminismo), e acredito que a área jurídica ajuda e muito se for usada pro bem. E acreditem, não está sendo usada pro bem...
Pessoalmente falando, eu acho que aprendi a escrever e me expressar melhor depois que criei o blog, e isso acaba refletindo na minha faculdade, então acabei voltando pro profissional (?)

9. Qual sua frase favorita?
"As pessoas acham que eu tenho resposta... Eu não sei qual é a pergunta!!" - Renato Russo disse isso num show e eu tenho o áudio disso no celular HAHAHAHA 

10. Qual conselho você daria pra quem está começando agora no mundo dos blogs?
PAREM DE FAZER BLOG DE MAQUIAGEM, ROUPA, UNHAS E LIVROS (mentira, livros eu gosto sim).

11. O que os blogs que você vai indicar têm em comum?
NADA, eu acho HAHAHA são pessoas que eu gosto, que escrevem bem, e que contribuem pra uma blogosfera feliz.


Sintam-se beijados (ou não).

domingo, 26 de outubro de 2014

Restrições que só a vida em comunidade proporciona

Andei pensando se ia escrever sobre isso hoje. Tenho andado meio mau humorada por conta disso, e creio que esse texto vai ser o mais injusto que eu já escrevi desde que comecei a aprender as vogais. Mas o fato é que as pessoas SABEM que eu tenho um sono leve demais — que beira à insônia — e que qualquer barulho ou qualquer luz de farol de carro me acorda e eu fico horas divagando até o sono chegar novamente. E quando esse lindo chega e eu finalmente acho que vou grudar meus olhinhos e sonhar com a Ellen Page, adivinhem só, já é hora de levantar.
A seguir, o drama de uma jovem de vinte anos que só queria dormir bem entre a noite de sábado e manhã de domingo: Hoje foi um desses dias em que as pessoas aqui em casa aparentemente foram mordidas pelos percevejos de suas camas.
Ok, passado o dramalhama, fiquei de 4h da manhã até as 9h jogando GTA V e pensando sobre tantas coisas que não podemos fazer quando moramos com os pais, amigos ou whatever. Vejam, AMO MEUS PAIS E IRMÃOS, mesmo. Só que, nossa... às vezes é chato olhar para o quadro da "privacidade e tempo pra mim mesma" e ver que tenho 0 pontinhos. Preparem-se porque vai começar minha lista básica:

NÃO PODER ANDAR PELADA PELA CASA


Pelada, pelada. Nua com a mão no bolso.
Crédito: http://www.deviantart.com/art/nude-100097617

Nesse caso estou supondo que minha casa tem muros altos o bastante para que ninguém de fora me veja — o que não é o caso, mas finjam que é. Eu tenho esse sonho, venho cultivando tanto esse desejo que ele já se tornou até intrínseco à minha existência. Andar pelada é a maior prova de emponderamento do meu próprio corpo em dias quentes. Moro pertinho da linha do Equador, e não mereço passar esse perrengue que estou passando, sinceramente...
Acho curioso esse traço que herdamos da cultura europeia — na verdade, já com grande influência do puritanismo cristão —. Pouco restou da cultura indígena, e vamos combinar aqui entre nós: era muito mais condizente com os padrões climáticos. Eu não reclamo de ter que usar roupa em lugares públicos. Mas podiam ter criado uma convenção social do tipo "olha, entre familiares tá liberadíssimo não usar roupa por causa do calor". Já amadureci muito essa ideia, e pretendo colocá-la em prática nem que seja só por uma semana. (Mãe, nessa parte do post eu dou o aval para toda família viajar sem mim)


NÃO PODER FAZER BRIGADEIRO A HORA QUE EU QUERO


Uma imagem que nem precisa de legenda.

Amo brigadeiro e acho um absurdo NA VERDADE UM COMPLETO DISPARATE não poder fazer brigadeiro quando tem leite condensado em casa. Minha mãe tem essa regra dela de fazer vidinha com o leite condensado, porque caso ela queira fazer alguma coisa diferente, vai ter o leite condensado ali e ela não vai precisar ir ao mercado porque só ela vai. Essa é a expectativa de todos. A realidade: o leite condensado vira doce de leite de tão quente que é o clima, e ninguém faz nada. E eu fico na vontade de pegar todo o leite condensado do mundo e fazer um grande brigadeiro, preencher uma piscina e mergulhar nela. É.


NÃO PODER OUVIR MÚSICA E FAZER PERFORMANCES ARTÍSTICAS

Eu sou a Beyoncé. Mesmo que ela não saiba disso ainda. E quando eu coloco meus fones de ouvido e fecho a porta do quarto, eu quero fazer essa dança:

Sou ou não sou uma diva?
Por gentileza, moradores da minha casa, NÃO ABRAM A PORTA QUANDO EU ESTIVER TRANSFORMADA EM BEYONCÉ. Grata.
A verdade é que diversas vezes eu estou dançando igual a uma louca, meu pai abre a porta, e fica a maior torta de climão no ambiente. Ou ele ri muito enquanto eu cavo um buraco na terra.


BOAS MANEIRAS E VIDA EM GRUPO
Poxa migs, que fedor.
Neste tópico falarei de coisas bem nojentas para nossa cultura: arroto e flatos. O ser humano, sendo uma espécie gregária, apresenta algumas restrições comportamentais que eu considero um tanto quanto preocupante. Ora, às vezes não há como controlar o poder da nossa digestão, e sei lá... a gente sente vontade de liberar aqueles certos gazes com odor, e quando não os liberamos, eles ficam incomodando e inchando nossas barriguinhas. Como lidar? Se você tem tempo pra correr até o banheiro e peidar à vontade, beleza. Ou se você é uma criança de 0 a 7 anos também está valendo, porque é nessa fase em que a gente começa a aprender esse lance complicado chamado boas maneiras. Quer dizer que nessa fase você pode soltar seus gases à vontade que os adultos vão achar lindo e ainda cheirar com a maior satisfação. Porém, se você já passou da fase de fofura infantil, aí precisa repensar a situação. Por exemplo: imagina você no carro com seu grupo de amigos indo ou voltando de algum lugar onde vocês tenham comido algo que tenha gerado um grau de flatulência alto. Pois bem, você está doido(a) pra peidar mas não vai fazer isso no meio de todo mundo. E quando faz, tenta ao máximo transparecer que não foi você, nem comenta sobre o assunto e só abre a boca se alguém o fizer antes pra reclamar.

(Barulho: póimmmm)
— Puxa vida, que fudum. Quem soltou essa, galera?
— É, alguém tá meio estragado por dentro hoje.
(risos no carro, todos abrem as janelas, suas mãos estão amarelas que eu sei)

Isso vale para absolutamente todos os lugares, até mesmo na sua casa. Meu irmão, por exemplo, tem sete anos e solta cada bufa! e já aprendeu que as pessoas em geral não gostam de sentir cheiro de flatos, e quando calha que ele o faz, já arruma um jeito de justificar ou dizer que não foi ele. A negação, amigos, é a melhor arma contra os flatos. Negue até mesmo se os militares pegarem você. O arroto, infelizmente, não há como esconder. Há maneiras de torná-lo mais "educado", digamos assim, porém é incômodo tanto arrotar quanto ver alguém arrotando ao seu lado e sentir aquele cheirinho da feijoada.
Lógico que se você for cara de pau e muito confiante de si mesmo, pode fazer que nem meu pai que já chega na sala de casa falando: "não sou delegado para ficar prendendo". O que vem depois disso vocês já sabem ou pelo menos têm noção.


PARA CASAIS: NÃO PODER DORMIR EM POSIÇÃO DE PATRICK

Cama, hoje eu vou lhe usar.
Essa eu dedico a você que já tem a cara metade, e dorme com ela na mesma cama com uma certa frequência. Dedico também a você que por algum motivo tem que dividir a cama com alguém que não é exatamente seu docinho de coco, isto é, vale pra mãe, amigos, primos, avós, cachorros, gatos e poltergeists. Não sei se vocês já repararam, mas o Patrick do Bob Esponja é uma ESTRELA DO MAR. E você sabia que podemos reproduzi-la de forma diabolicamente confortável numa cama de casal? Não, você não sabia. Infelizmente isso não é possível se você não dorme na cama sozinho. Então, apenas observem como a vida do Patrick parece um tanto quanto feliz:

Usem essa posição com moderação.

A verdade é que mesmo eu reclamando dessas coisas, eu gosto muito mais de viver em grupo do que se eu tivesse que morar numa casa completamente sozinha tendo que arrumar a casa inteira. Acho que mesmo com essas "limitações", gosto de ter família e alguém para ter do que reclamar. Não sei se pretendo morar sozinha um dia — é certo que eu vou sair da casa dos meus pais, mas talvez eu o faça pra morar com outras pessoas, amigos ou companheirx. Só não posso morar com sogra, porque aí é melhor ficar em casa mesmo.
Mas não vou mentir: às vezes eu bem que queria todo o brigadeiro só pra mim. Prontofalei.

Lindos que leem meu blog (ou não), sei que ando sumida e é por uma "péssima" causa: a faculdade está sugando o resquício de alma que ainda reside em meu corpo. Já estou num estágio de loucura que ando ouvindo certas vozes que me assustam no meio da noite: "Fernanda, explique para a turma como funcionam as antinomias de segundo grau". Curso de Direito está agravando minha falta de saúde mental, obrigada e boa noite.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Problemas práticos de um apocalipse zumbi

Outro dia eu me deparei com uma postagem no Facebook, onde um indivíduo qualquer clamava pela vinda do apocalipse zumbi, alegando que o mundo atual é uma porcaria e aquele blablablá de sempre. Pois bem, durante minha "viagem" até a faculdade, fiquei pensando como esse mundo é realmente barra: todos os dias eu acordo super cedo pra fazer coisas difíceis estudar e arrumar a casa, tenho que me deslocar de um lado a outro da cidade em ônibus lotados que às vezes nem consigo entrar, e quando consigo entrar na porcaria do ainda tenho que dar graças a Jah se não for encoxada por algum tarado de plantão. Depois, chego na faculdade e tenho que aturar um monte de idiotas que acreditam que a pena de morte realmente resolveria alguma coisa nesse país. Aí, volto pra casa e descubro que perdi meu livro preferido na faculdade e ninguém vai me devolver. Ok, superados os pensamentos sobre como minha vida é extremamente ruim, comecei a pensar em como seria minha vida num apocalipse ZUMBI.
Vejam, não basta viver num mundo pós-apocalíptico. Sei lá, se eclodisse uma Terceira Guerra Mundial que acabasse com o mundo, já viveríamos bem mal. Mas o apocalipse zumbi mexe com o imaginário dos nerds, pois eles imaginam que nada pode ser mais legal que viver num mundo cujas pessoas mortas se transformaram em vivas e querem morder você. Que lindo! Que mágico!

http://musicapave.com/wp-content/uploads/michael-jackson-thriller.jpg
Tá pensando que vai ser bonitinho assim, dançando como o rei do pop?
 Exceto por esses problemas práticos que eu pude identificar com apenas dez minutinhos de divagação:
 A Questão da Comida
http://www.rantlifestyle.com/wp-content/uploads/2014/01/Fast-Food.jpg
Saboreie este fast food como se fosse o último.
"Mas Fernanda, isso é óbvio", vocês podem dizer. Mas eu digo que não é tão óbvio quanto parece. Nos filmes e séries, sempre tem aquele grupo de sobreviventes que fica correndo de um lado pro outro atrás de mantimentos e kits de primeiros socorros. Parece que sempre tem comida. O problema é que essas coisas vão acabar, levando em conta que o mundo está caótico e as pessoas pararam de produzir bens duráveis e não duráveis. E os não duráveis... bom, alimento é o principal. Daí eu imagino meu grupo indo assaltar os mercadinhos do bairro (gente, os mercadinhos já não têm nada hoje, imagina no apocalipse), andando quilômetros até chegar aos grandes supermercados, encontrando outros grupos que querem dominar o espaço dos grandes supermercados, gente brigando com zumbis e pessoas, gente sendo morta por causa de um pacotinho de biscoito (AINDA É BISCOITO NO APOCALIPSE, E NÃO BOLACHA). Amigos, a questão da comida é cruel. Eu brigo com o meu irmão mais novo por muito menos.
Isso que eu estou levando em conta as comidinhas que os seres humanos vão encontrar nos depósitos e supermercados da vida. E quando até isso acabar? Aliás, até antes disso já vai ter gente comendo os pobres gatinhos e cachorrinhos de estimação - e certamente competindo com os próprios zumbis pra saber quem fica com a coxa do cachorro.
Toda vez que meus pais assistem The Walking Dead, eles comentam que comeriam tranquilamente nossa gatinha de estimação numa situação assim. Que dó da Capitu, que dó!

Essa sou eu toda dengosa, seria uma pena se ninguém poupasse minha vida.

A Questão da Higiene

Esse problema tem várias ramificações. Primeiro, a questão da água: o mundo pós-apocalíptico tem água encanada? Claro que não. Se a cidade de Manaus já não tem água encanada direito nem no mundo atual sem "grandes problemas", imaginem se o mundo acabar. Isso significaria se deslocar para lugares onde existe a possibilidade de ter água limpa pra beber, mas também pra tomar banho. "Fernanda, é só passar perfume e lencinhos umedecidos", vocês podem dizer. E eu digo a vocês para voltarem à parte onde eu digo que não se produz bens no mundo apocalíptico. Inclusive, se deslocar de um lugar a outro para QUALQUER COISA implica em: encontrar zumbis. E não pensem que vai ser difícil pro zumbi encontrar vocês com esse cheirinho de cebola no sovaco.
A questão da higiene também envolve milhares de outros aspectos, mas queria destacar um que eu considero de extrema importância para o agravante ZUMBIS desse mundo: menstruação. Zumbi ama sangue, todos sabem. Quem nunca viu um filme ou série onde o zumbi morde o pescocinho da vítima e começa a sair aquele monte de sangue jorrando na tela? Mas que delíciaaaaa de sanguinho. Imagine você, mulher, menstruadinha sem absorvente e precisando sair com seu grupo de sobreviventes em busca de qualquer coisa aleatória. Imaginou? Pois é.

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O meu melhor amigo no apocalipse zumbi, e fora dele também.
A Questão da Segurança

http://i1.wp.com/rearme.com.br/wp-content/uploads/2014/09/Colorado-court-permits-students-to-carry-guns-on-campus.jpg?resize=300%2C165
Com essa arma aqui eu matei três zumbis!
"Fernanda, você tem certeza de que pensou em tudo isso no ônibus?" Na verdade não, mas finjam que sim.
Olha, toda vez que rola uma parada dessas de apocalipse, é sempre nos Estados Unidos. E lá eles amam armas, né? Todo mundo tem uma arma nos Estados Unidos, todo mundo tem um porão cheio de metralhadoras e munição. No Brasil não. Aqui temos o Estatuto do Desarmamento (o que eu acho muito bom), e poucas pessoas possuem armas - só possuem os policiais e os bandidos que são a mesma coisa. Eu sei que o seu avô ainda guarda aquela espingarda marota no sítio da família, mas vamos falar das pessoas comuns: quantas pessoas você conhece que têm arma em casa e que sabem usar?
"E as armas brancas?". É, tem as facas. As facas que não são afiadas nem pra cortar o queijo no café da manhã, que dirá enfiar no crânio de um zumbi no meio do apocalipse. Não, facas não.
(Exceto as facas Tramontina, essas aí cortam até latas de alumínio)

A Questão do Sexo

http://www.lagoinha.com/lagoinha-wp-site/wp-content/uploads/2013/01/Reprodu%C3%A7%C3%A3o-We-Heart-It.jpg
- Que tal eu e você, numa casa abandonada, transando loucamente ao som de zumbis grunhindo?
Apenas imaginem um mundo onde acabaram-se as camisinhas e os anticoncepcionais já estão fora de validade. Pensem nessa pobre mulher que  vos escreve grávida nesse mundo cheio de zumbis doidos pra comerem ela e quem mais estiver dentro dela. Eu não sei vocês, mas eu nem ia ter vontade de transar. Isso, é evidente, em se tratando de sexo consensual. Mas e a questão dos estupros? Homem é um bicho cruel, e sabemos que em situações caóticas isso rola com uma frequência ainda maior. Tudo é muito mais perigoso porque os grupos, ao invés de se unirem e formarem a grande ~Aliança Humana Anti-Zumbis~, brigam entre si pra saber quem é mais forte e subjugam as mulheres do grupo mais fraco. Isso rolaria SIM, e Hobbes já dizia que o homem é o lobo do homem, né nón? E o zumbi vai comer o homem e o lobo também, se der bobeira.

Eu poderia continuar falando aqui umas mil páginas sobre outros problemas (como o fim da internet em tempos de zumbi), poderia começar a escrever uma monografia sobre o mundo acabado e cheio de pessoas mordendo umas às outras, mas deixo vocês com essa foto da Michonne. Porque a Michonne é foda, ok?

 http://static.thewalkingdead.com.br/2014/02/michonne-zumbis-de-estimacao.jpg

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Imaginação fértil

Vou contar pra vocês uma história sobre escola. Mas antes de contá-la, gostaria de dizer que odeio o ambiente escolar. Gosto de estudar, sempre gostei, mas se tinha algo que me deixava realmente assustada era ir pra escola. A convivência com as outras pessoas sempre foi pra mim um problema desde cedo, principalmente porque as crianças são cruéis quando querem – e porque reproduzem um certo padrão da nossa sociedade, e vamos combinar que nossa sociedade não é lá essas coisas. Mas a escola definitivamente era um lugar hostil. Minha mãe lendo isso vai dizer que é mentira, que eu “amava a escola”. Isso não é verdade. O fato é que eu jamais gostei desse ambiente, ia porque desde cedo já entendia que era uma obrigação e que se eu não fosse pra escola, algo de muito ruim poderia acontecer comigo ficar em casa lavando a louça.

Pareço feliz. Mas só pareço mesmo.

Porém, o que me fez escrever hoje não foi exatamente uma lembrança de toda minha vida escolar, embora eu tenha feito essa regressão posteriormente. Na verdade, decidi escrever porque aconteceu algo engraçado quando eu levava meu irmão mais novo pra escola – ele também não gosta de lá, acho que é genético. Nós dois chegamos juntos, eu segurando a mãozinha dele, dei a mochila pra ele e me despedi. Ao cruzar o portão, deparei-me com a seguinte cena: um pai (suponho) trazendo a filha para a escola em seu táxi. Só ela desceu do carro, e ele esperou ela passar pelo portão para ir embora. Ao mesmo tempo, duas menininhas que não deviam ter mais de sete anos falaram “Olha, a fulana é tão chique que vem até de táxi”. Eu soltei uma gargalhada alta, e os pais que ali estavam me olharam muito feio – eu já sou esquisita andando normalmente na rua, imaginem gargalhando. Mas então, eu ri porque provavelmente elas não sabiam que as chances daquela menina estar indo de táxi porque tem dinheiro são bem pequenas.

Tô aqui de boas esperando minha filha/patroa sair da aula.
E sei lá porque minha mente insana lembrou-se disso, mas associei muito esse lance do táxi a um episódio que eu preciso narrar. Eu tinha por volta dos seis ou sete anos. A minha escola tinha anunciado que participaria do desfile de Sete de Setembro. Até então tudo bem, exceto por: eu e minhas amiguinhas interpretamos a palavra “desfile” de outra forma. Ficamos TÃO FELIZES porque finalmente nossa escola participaria de algo legal (eu disse: “GENTE, UM DESFILEEEEE! IMAGINA SE ENCONTRAMOS A GISELE BÜNDCHEN!!!”), que logo levamos o comunicado emitido pela escola para os pais assinarem. Eu não me lembro do meu pai nesse episódio específico, mas minha mãe levantou uma sobrancelha e perguntou: “Fernanda, você quer ir mesmo pra isso? É cansativo, você vai ter que andar muito.”, e eu toda boba respondi: “mamãe, é a oportunidade da minha vida!!!”. A mente de qualquer um com um pouco de sanidade e maturidade embaralharia depois de ouvir essa declaração.

Eu tinha isso em mente.

Então, o Sete de Setembro chegou. Que dia lindo, pensei. Minha mãe ia comigo porque era obrigatória a presença de um responsável (mãe, desculpe ter feito você passar por isso), e ela lançava aquele olhar com a sobrancelha levantada e os olhos cerrados que só ela sabe lançar. O ponto de partida era a própria escola. Achei estranho o fato de ser obrigatório o uniforme, mas não refleti profundamente sobre isso. Tinha treinado vários dias com minhas amigas, durante o recreio, o nosso andar já pensando nas passarelas. Naquele dia eu estava apreensiva e pensava: “Será que vão gostar de mim? Será que terão muitos fotógrafos?”. Começamos a caminhar com uma música estranha no fundo, com uma tal de “Banda do Desfile” (“GENTE, CADÊ AS MÚSICAS DE PASSARELA?”), e o dia estava ficando cada vez mais claro, com aquele sol que só o Rio de Janeiro é capaz de ter em dias quentes, e todas as crianças já estavam melecadas de suor e extremamente fedorentas. Minha mãe era super prevenida e levou garrafinha com água gelada e uma toalhinha pra secar meu rosto, então eu não estava tão desamparada. Mas eu já tinha entendido que aquele desfile não era de moda coisa nenhuma, e sim uma celebração de uma tal de “independência do Brasil” (“EU NÃO SABIA NEM QUE TINHA SIDO DEPENDENTE ANTES!!”). O máximo da moda que eu presenciei aquele dia foi dividir o espaço com os alunos do colégio militar, que tinham uniformes muito mais elaborados que os das simples alunas das escolas estaduais, como eu. O resultado é que eu cheguei à minha casa morta de fome, suada e cansada, com meus pés gritando PELO AMOR DO AMOR, PARE DE ANDAR PELOS PRÓXIMOS MIL ANOS, GAROTA. Não sei qual era o estado físico da minha mãe, mas se hoje ela é uma pessoa que não embarca nos meus sonhos, a explicação pode partir disso.

Dessa lembrança, aprendi duas coisas: A primeira é que não devemos criar expectativas demais. Eu era uma jovem criança com aquele sonho chato e previsível de ser uma modelo, e descobri da pior forma que a palavra "desfile" é usada pra várias situações diferentes. A segunda é, certamente, que o feriado da Independência é muito inútil pra todas essas crianças e militares que ficam marchando nas avenidas. Tadinhos deles. É bem melhor aproveitar dias assim dormindo, não é mesmo?

domingo, 17 de agosto de 2014

A volta dos que não foram

Desde que eu tinha meus 12 anos de idade, nada na cabeça e muito tempo livre, cultivo uma coisa chamada blog. Era tudo muito tenso, usávamos internet discada - eu tinha o discador do IG! -, fazíamos gifs animadas que demoravam mil anos pra carregar, não fazíamos ideia do que estávamos fazendo. O tempo passou muito depressa, eu cresci (nem tanto), comecei a estudar muito pra virar esta porcaria de técnica em informática que ainda não aprendeu a trocar uma placa-mãe e essa vibe dos blogs ficou um pouco para trás. Primeiro porque, convenhamos, a blogosfera não é mais como era antigamente. Não existe mais aquele feeling de você postar coisas sobre você, textos ou até mesmo as gifs animadas, que agora se restringem ao Tumblr e Buzzfeed. Parece que tudo tem se resumido a Looks do Dia. Inclusive nada contra, até tenho amigas que são, mas sinto que a blogosfera se resumiu a looks e unhas somado a geração whey protein.

Meu brigadeiro de whey protein me deixa assim.

Mas tudo que é bom deve ser cultivado, e o desejo em escrever permanece em mim. Eu preciso sempre de um espaço para escrever o meu muro pessoal das lamentações. Preciso mesmo. Ok, existe o Twitter (140 caracteres pra mim é pouco) e o Facebook (caracteres demais, gente demais), mas este aqui é o único espaço no planeta Terra onde eu posso escrever absolutamente tudo além de deixar o espaço bonitinho com minhas manipulações com o photoshop e não ter aquela tia velha chata fofocando sobre o que você escreveu nos aniversários de criança. Eu sempre sumo daqui periodicamente, talvez por nunca conseguir levar as coisas adiante, ou por falta do que escrever mesmo. Mas sempre volto. E alguns hábitos simplesmente não saem de você, mesmo que você tente.

O RITUAL satânico

Absolutamente tudo que fazemos na vida, sendo seres humanos que somos, envolve algum tipo de ritual. Desde o ritual de acordar - e eu sei que vocês colocam o despertador no modo soneca até enjoarem da musiquinha -, até coisas bem mais complexas e chatas como casar e ter filhos ritual de pesquisar e escolher nomes de crianças que nunca vão nascer. Pertencer à blogosfera não é diferente, e eu particularmente sempre faço o meu velho ritual de (re)iniciação.

Status: acendendo a vela preta.

Preparar o layout: Isso toma tanto tempo da minha vida que é preciso um período de férias pra isso. Primeiro porque eu sou uma tremenda perfeccionista e blogueira das antigas aprendi HTML com os templates do Brumaximus. Segundo que, sem fazer isso, sinto como se o período de hiatus simplesmente não tivesse acabado. Seria como tomar banho e não trocar de calcinha, se é que vocês me entendem.

Visitar outros blogs: Porque uma blogosfera de um blog só é insuportável. Mas além disso, eu sempre dou uma conferida nos blogs que eu costumava ler antes do meu próprio hiatus. Às vezes eu ainda encontro blogs de pessoas que eu conheci em 2007/2008 que estão aí até hoje. E também conheço novos blogs, o que dá uma certa atmosfera que eu gosto muito, de conhecer pessoas através do que elas escrevem em seus espaços <3

Escrever textos compulsivamente: Enquanto eu estou aqui escrevendo, já vou imaginando as mil crônicas que eu nem escrevi ainda mas já gosto pacas. Aliás, isso é o passo mais importante do ritual de iniciação na blogosfera, porque pelo menos pra mim é completamente inútil ter um blog e não escrever nada nele (embora eu não tenha deletado o Burlesque Suicide por motivos de: layout muito lindo).

Põe ~exclusivo~ no rodapé, minha filha, dá trabalho pra fazer esse layout todo.
Após os três passos do meu ritual, aí sim posso dizer que voltei a espalhar para o mundo a minha palavra que não é de deus e chamar os miguxos pra ler e dar avaliações ("olha, Fernanda, acho que você exagerou nesse parágrafo"). E muitas coisas acontecem, mil pessoas passam pela minha vida, mas tá aí uma coisa que veio pra ficar: o blog. Eu voltei de um lugar que nunca saí.