segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Vamos falar de filmes ruins #1

Nicolas Cage meramente ilustrativo.
Não sei se vocês sabem, mas se tem uma coisa que eu gosto muito de fazer em qualquer hora do dia é assistir a um filme. Inclusive, eu assisto a filmes até mesmo quando estou cheia de coisas bem importantes pra fazer, tipo escrever um relatório de trocentas páginas, ou estudar pra um concurso que pode mudar minha vida, caso eu passe. Eu não tenho foco em absolutamente nada quando penso em algum filme que quero muito ver, e já faltei aula da faculdade pra assistir Sessão da Tarde (deem um desconto, afinal era Dirty Dance, e ninguém nesse mundo deveria perder Dirty Dance na Sessão da Tarde).
Uma vez que vocês saibam que a minha mente guarda na memória tudo quanto é tipo de filme, o post de hoje vai falar de algo que tem me irritado bastante: filmes ruins. Oras, se é pra procrastinar fazendo o que gosto, acho extremamente desnecessário — pra não dizer revoltante — existirem essas porcarias que as pessoas vêm chamando de filme. STOP PEOPLE. E o que é pior: andam vendendo filmes extremamente ruins como se fossem obras de arte. E hoje, aproveitando que a cerimônia do Oscar ainda está fresquinha, abro uma sessão no blog justamente pra falar de filmes: mais especificamente, esses que vocês devem passar longe. Isso significa que toda vez que eu assistir um filme bem ruim, eu vou vir aqui nessa página da internet e destilar uma crítica. Finjam que isso aqui é o New York Times.


Jeune et Jolie: esses filmes pseudocult que no fim não querem dizer absolutamente nada

Eu realmente estou tentando entender a proposta desse filme aqui. É o tipo de filme que as pessoas vão lá e falam "vai lá, baixa porque é francês... e sabe como é o cinema francês, né?". Olha, se esse filme representa a arte do cinema francês, eu não sei como é não. O filme começa com Isabelle (Marine Vacth) passando férias com a família numa cidadezinha litorânea, onde ela conhece um rapaz e resolve ter um rala-e-rola maroto com ele na praia. Mas o fato é que o cara deve ter no máximo 18 anos, o que significa: que ele não fode bem. Aliás eu arrisco dizer que homem não costuma foder bem a vida inteira, sabem? São raríssimas exceções que fazem a coisa acontecer de verdade, mas enfim. Depois disso, Isabelle resolve experimentar se prostituir só pra testar uma coisa aqui, rapidão. E aí a guria de apenas 17 anos começa a marcar encontro com caras aleatórios pelo celular, sem que sua família ou mesmo amigos do colégio saibam. Tudo isso com a atriz fazendo cara de blasé do início ao fim.


Tem muita coisa errada nesse filme, MUITA MESMO, pelo que consigo lembrar — porque tem duas semanas que eu assisti e não pretendo abrir o arquivo de novo nem que me paguem.
Primeiro, trata as descobertas sexuais da adolescência/juventude como um fetiche para o telespectador. Esse ponto é bem desagradável de ver. Sendo eu uma pessoa que se posiciona totalmente contra hipersexualização de crianças e adolescentes, achei completamente desnecessária a primeira cena mostrar a personagem fazendo topless na praia. Não pelo topless, porque eu sou feminista né amores... Mas pelo contexto: topless de uma garota que está fazendo 17 anos no dia em questão. DEZESSETE ANOS. GENTE. PAREM. E a segunda cena é, PASMEM, ela se masturbando no quarto (e o irmão assistindo tudo no cantinho da porta). Encerro esse ponto dizendo: é TOTALMENTE OK se masturbar, TOTALMENTE OK fazer topless, mas NÃO É OK levar isso pro cinema e transformar descobertas sexuais de MENINAS em algo atraente pra HOMENS. Principalmente porque a maioria desses homens é de velhos. Argh, chega a me dar ânsia de vômito.

Segundo, romantiza a prostituição. E sobre isso, busco palavras na minha mente pra explicar o quanto é nocivo levar essa visão ao telespectador. Minha crítica não se trata da escolha da mulher sobre o seu corpo — sabemos que a personagem tem escolha SIM sobre o que fazer com ele, e de fato o faz. Mas quero que vocês entendam o seguinte: tal problemática gira em torno do cineasta usar essa raríssima exceção, de uma mulher (uma menina, né, cof cof) escolhendo por livre e espontânea vontade se prostituir, para criar um clima de glamour dentro de um ambiente que não é saudável pra mulher. Prostitutas são submetidas a um ambiente cheio de caras misóginos que as agridem verbal e fisicamente, estupram-nas — e alguns inclusive MATAM. Prostitutas de luxo não são a maioria. Sabem o que é a realidade? Vou dar a vocês dois exemplos de realidade:

1) Tráfico de mulheres: lembrem-se da novela "Salve Jorge", de Gloria Perez. Embora "leve", por focar no público da TV aberta, foi uma novela extremamente verdadeira, e é importante lembrar que muitas mulheres ainda são submetidas a esse regime de escravidão sexual no exterior. Não é bonitinho e fofinho. MULHERES MORREM.
2) Falta de perspectiva e de oportunidade no mercado formal: Muitas começam a mercantilizar o próprio corpo porque não encontram empregos formais que satisfaçam suas necessidades de consumo (não sei se vocês sabem, mas as pessoas tem contas pra pagar). Quanto uma prostituta ganha por programa? E quanto ganharia trabalhando com carteira assinada, ocupando vagas em subempregos como os de caixa de supermercado, atendente em redes de fast-food ou empregada doméstica? Às vezes, por mais que se prostituir seja perigoso, muitas preferem isso a passar fome ganhando um salário de miséria que não dá nem pra pagar o aluguel.

E um fato: tem gente vendendo sexo em troca de um prato de comida. Isso não só aqui no Brasil, como inclusive na França e por toda a Europa.
Prostitutas de luxo também correm muito risco, porém o filme não retrata isso de forma real e faz parecer que homens misóginos e perigosos são apenas alguns "percalços" que a personagem terá que enfrentar aqui ou ali.

Existem apenas dois pontos positivos que consegui encontrar nesse filme:
1) Excelente fotografia.
2) Trilha sonora impecável.

No mais, é desnecessário. Totalmente.
Não recomendo nem pros meus inimigos.
E se vocês querem mesmo saber, perdi um bom tempo da minha vida. Era melhor eu ter estudado pros concursos.
Ou ter visto o filme do Pelé. #chateada


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Música: traga de volta uma banda do passado

É a primeira vez que participo de uma blogagem coletiva do Rotaroots, esse grupo maravilhoso feito pra reunir a blogosfera, e escolhi o tema de trazer de volta uma banda do passado por motivos de: meu sobrenome é passado. Respiro e vivo pra lembrar de coisas que já aconteceram, diálogos que já terminaram e bandas que já acabaram. Porém, eu preciso fazer esse post com duas bandas, já que não consegui me decidir sobre qual fazer HAHAHA
Antes de mais nada, quero deixar claro o óbvio: meu gosto musical é estranho. Então, lidem com isso e vamos lá começar essa bagaça.

Crystal Castles (2004-2014)

Alice Glass: pelo amor do amor ME BEIJA

Eu nasci acostumada com a sonoridade das vertentes do metal (eu cresci decorando a letra de Fear of The Dark, do Iron Maiden - desculpa aí se meus pais ouvem metal), então eu confesso que a primeira vez que ouvi os canadenses do Crystal Castles eu TOMEI UM SUSTO, não só por ser música eletrônica mas por ter uma musicalidade totalmente diferente do que eu já tinha visto na vida. Então, um dia eu estava de boas navegando pelo YouTube, lá pro final de 2014, quando me deparei com o clipe de Baptism. Aí cliquei nele, apertei o play e exclamei:

- Gente, quem em sã consciência ouve isso??????

Fiquei chocada.
E larguei Crystal Castles. Mas, depois de um tempo, resolvi assistir de novo, e de novo, e de novo pra ter certeza de que era ruim mesmo (?). Resultado: Baptism é uma das minhas músicas preferidas.
Depois disso eu fiquei obcecada e baixei a discografia toda (só pra confirmar que eu não ia gostar da banda, olhem só vocês...), coloquei no celular e até então passo O DIA ouvindo Crystal Castles. Tomando banho, arrumando a casa, estudando, dormindo e comendo. Não transei ainda ouvindo Crystal Castles porque né... vida social pra que se eu posso jogar The Sims?

Mas por que falar de Crystal Castles?
Porque é uma banda que eu simplesmente NÃO ENTENDO porque acabou. Foi um choque, inclusive, eu acabar de conhecer a banda e Alice Glass simplesmente anunciar que não ia ter mais nada (põe a Maysa e meu mundo caiu aqui, por favor). ALICE GLASS CABÔ COM MINHA VIDA. Os shows eram intensos e Alice Glass aparece em um deles PRATICAMENTE ABRAÇADA NUMA GARRAFA DE WHISKY. Win demais pra ter acabado. E, pessoalmente falando, Crystal Castles representa uma ruptura na minha vida com o preconceito que eu tinha com música eletrônica.
O término foi... como um divórcio de um casamento longo de 30 anos. Quem vai ficar com nossas crianças?
Recomendo 100% Crystal Castles (principalmente o álbum II).


Tristania (1996-atualmente)

Eu acho que gosto mesmo é de bandas com mulheres bonitas, isso sim.
Essa é uma banda que PRA MIM morreu e foi substituída. O Tristania não acabou literalmente, já que a banda norueguesa de Gothic Metal tá "firme" flopada ainda e de vez em quando lança um álbum novo pra gente apreciar. Então, deixa eu situar vocês de algumas coisas relevantes sobre o que aconteceu com a moça Tristania:

Vibeke Stene, vocalista e uma das almas dessa banda, saiu em 2007 por motivos até o momento desconhecidos (Fofocas do metal: DIZEM que ela saiu devido a problemas com álcool e cocaína, mas não tem nada comprovado sobre isso). Então recrutaram a italiana Mary Dermutas pra assumir os vocais. E olha, nada a contra a Dermutas, mas infelizmente as técnicas vocais de ambas são totalmente diferentes e... a banda mudou totalmente.

Imaginem um mundo onde Cher morre e é substituída pela Katy Perry. POIS É. Foi mais ou menos o que aconteceu.

Por que trazer de volta o Tristania?
Porque eu cresci ouvindo essa banda, passei horas da minha vida DANÇANDO COM A PAREDE AO SOM DE TRISTANIA, imaginando altas transas ao som de Tristania e porque ninguém além de Vibeke Stene pode cantar os vocais líricos dessa música com total habilidade. Pronto, falei.
Pra quem gosta de Gothic Metal, música mais sombria e uma vibe ~seja bem vinda, amiga escuridão e fantasmas medievais~, recomendo muuuuito mesmo o Tristania. Tem gutural e tem mulher linda cantando com voz impecável, e ó: eu recomendo TODOS os álbuns, inclusive os com a Mary Dermutas (porque ela é uma fofa, apesar dos pesares), mas se minha opinião serve de algo, o melhor álbum sem dúvidas é o Widow's Weeds, de 1998.


Eu tinha escolhido uma terceira banda, mas achei que era forçar a barra demais falar dela. Então eu vou deixar só a foto dessa obra prima da música brasileira:

VIDA, DEVOLVA MINHAS FANTASIAS
(eca)

E vocês, que banda ressuscitariam das trevas se tivessem a chance e por que?