quinta-feira, 30 de abril de 2015

Tag: 7 coisas

A Tati Ferrari me indicou há algum tempo atrás pra Tag 7 Coisas, que eu estava guardando para responder num momento em que eu não tivesse tempo para escrever melhor e, ADIVINHEM SÓ, esse momento acabou de chegar porque a gostosa aqui fez o favor de tirar CINCO na prova de Direito Penal I (valia 10, a média da faculdade é 8, e enfim... já me desidratei de tanto chorar).


7 coisas pra fazer antes de morrer.
- Aprender a falar inglês sem parecer um ganso engasgado (?)
- Aprender Direito Penal (POR TUDO O QUE HÁ DE MELHOR NO MEU MAPA ASTRAL)
- Fazer uma tatuagem
- Ter um filho (comecei a nutrir esse sentimento e nem sei o porquê)
- Pintar o cabelo de uma cor fantasia
- Viajar pra Grécia
- Aprender a tocar teclado (eu só sei tocar os 59s dessa música e não saí disso porque tenho preguiça)


7 coisas que eu mais falo.
- GENTE.
- "A Universidade Estadual do Amazonas é essa merda aí que vocês tão vendo"
- "Qualquer coisa vocês noooooossa"
- PORRA
- "tô bem triste"
- "don't touch my fucking hair please"
- Tipo.


7 coisas que eu faço bem.
- COMER
- Dormir
- Reclamar da vida
- Prova dissertativa
- Apresentar seminário (eu na verdade sou uma verdadeira palhaça apresentando seminário, vocês precisam ver)
- Maquiagem
- Tomar banho cantando em inglês como um ganso engasgado


7 coisas que me encantam
- Bebês quando dão gargalhada
- GENTE BONITA
- Transporte coletivo (são muitas histórias, como vocês podem ver aqui)
- Bandas de metal que tocam com orquestra (mais especificamente essa música do Dimmu Borgir)
- Roupa preta na promoção
- Doces
- Gatos


7 coisas que eu não gosto.
- Contato físico com gente desconhecida (PARA DE ME CUTUCAR ENQUANTO FALA, SEU PORRA)
- Falar ao telefone (às vezes eu desligo o celular no meu aniversário)
- Meus dentes
- Digitar no celular (aí eu fico na dúvida se mando áudio logo, mas lembro que odeio falar ao telefone e fico num loop infinito de ódio às tecnologias)
- Dias muito quentes ou muito frios (nem Deus poderia saber o que eu passo no Amazonas e o que passei no Paraná)
- Racismo, homofobia, machismo, pedofilia e outras opressões disfarçadas de ~piada~ ou ~cantada~ (o que você chama de novinha eu chamo de CRI-AN-ÇA)
- Música pop em geral (pra não dizer Katy Perry)


7 blogs para responder à TAG.


Sintam-se todos bem beijados e até breve. <3

domingo, 26 de abril de 2015

Blogagem Coletiva: 13 medos da Infância

Toda vez que a Larissa Ventura surge com uma ideia nova pra blogagem coletiva, meu coração dispara e eu só consigo pensar em:

UUUUUH EU QUERO VOCÊ, COMO EU QUERO

(Kid Abelha, né? Quem nunca?)

Foi um desafio postar sobre meus 13 medos da infância. Primeiro porque minha infância não acabou: ainda preciso atravessar a rua com alguém segurando minha mão senão eu vou tentar, sem dúvida, me jogar na frente dos carros - ou cagar de medo de morrer atropelada e demorar 15, 20 minutos pra atravessar uma simples rua (já fiz isso). Segundo que lembrar de medos da infância é uma coisa muito pesada, pois sou medrosa em essência e passei vários dias escolhendo só 13 medos pra colocar nesse post. A lista teria uns 1000 medos ou mais. Resolvi começar pelos que considero mais leves e deixar os últimos para os que eu realmente cago de medo até hoje, então vamos lá:
Peço perdão por esse post. Vocês vão descobrir que eu sou uma franguinha em apuros.


1. Máscara do Pânico

Era 25 de junho, Manaus, aniversário de 1 ano do meu irmão do meio, e o tema era festa junina. Minha mãe arrumava meus cabelos em maria-chiquinhas bem simétricas e passava umas fitas neles, e eu estava de frente pra TV. Esta passava um filme que eu nunca tinha visto antes, com uma galera jovem que parecia bem apreensiva. Eis que vi essa cena:


Eu nunca mais fui a mesma depois disso. Lembro que no carnaval do ano seguinte, 2001, todo mundo saía fantasiado de Pânico, e eu me sentia tão MAS TÃO mal.
Depois, lá pelos 15 anos, resolvi ver esse filme de novo e: aff. Que droga de filme chato.


2. Esta capa de disco do Iron Maiden

Capa do Somewhere in Time
Se tinha algo que me incomodava era chegar na casa dos meus avós e me deparar com esse disco na coleção do meu tio. E eu era uma criança bem curiosa, sabem? Mesmo com medo, todos os dias eu ia lá e olhava pra capa enorme na minha frente, com os olhos assustados e pensando: que tipo de música horrível deve tocar nesse disco?
Mas nesse período em que fiquei em Manaus, surgiu um novo amor. E eu amo Iron Maiden com todo meu coração.


3. Charlie Chaplin

Estou começando a achar que tudo o que me deixou com medo nessa vida tem relação com Manaus e as férias que eu passava aqui HAHAHAHA
Por algum motivo nada urban conceitual, meu avô tinha colado no vidro da janela do carro uma foto pequena do Charlie Chaplin. Toda vez que precisávamos ir a algum lugar, a passeio ou para fazer coisas chatas com os adultos, eu já imaginava qual desculpa teria que inventar para não sentar na janela.
"Mas você é a menorzinha, vai sentar na janela porque você vai ocupar menos espaço do que já ocupa", diziam.
E lá estava eu, dividindo a visão da linha do horizonte com essa criatura feia cujo bigode eu ojerizava.

"Fernanda, esse é Charlie Chaplin."
"COMO ASSIM VOCÊ TEM MEDO DO CHARLIE CHAPLIN KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK"

Frases da minha mãe, lógico e evidente.
Hoje em dia amo Tempos Modernos <3 Mas foi difícil crescer e superar tudo isso.


4. Bebês


Seres pequenos, cheios de dobrinhas e fofos. Entidades malignas capazes de fazer xixi em você durante a troca de fraldas. Todos os meus primos mais novos, EU DISSE TODOS, fizeram xixi em mim. Eu tinha medo que a próxima vez não fosse xixi. Até os evitava em festas.


5. Sítio da bisavó Diloca

Sou uma das poucas pessoas que vocês conhecem que tem bisavó viva. Aliás, eu tenho DUAS. E inclusive cheguei a conhecer minha tataravó! Tive sorte, e avós apressados que tiveram filhos muito cedo.
Em uma das muitas vindas a Manaus, tiveram a ideia de me levar ao sítio da bisavó Diloca. Lá não tinha absolutamente nada que uma garotinha da cidade grande pudesse se interessar, mas tinha um cachorro fofo e uma bisavó que sempre fofocava sobre coisas do passado. Mas estamos falando do interior do Amazonas, e algumas coisas nesse interior podem assustar até mesmo uma pessoa de Manaus.
Então, lá estava eu com quatro ou cinco anos de idade, indo ao banheiro sozinha no auge da minha independência, quando de repente fui lavar as mãos. Meus olhos fitaram uma coisa estranha e extremamente grande na pia.


Minha mãe dizia que eu gritava e me debatia, e ela fala "calma, já tiramos a aranha daqui" e eu falava "ISSO VAI ME MATAR, EU SEI QUE VAI".
Fui pesquisar essa imagem no Google e percebo que talvez eu seja aracnofóbica, não sei dizer. Meu coração pula, só falta sair pela boca. Eu vi uma tarântula três vezes na minha vida, duas no sítio da minha bisavó e uma NO MEU QUARTO, UM DIA DESSES, NO LUGAR QUE EU CHAMO DE CAMA.

Inclusive, por falar em aranhas, quero matar o estúpido que inventou essa história de ~colocar as aranhas pra brigar~ (FOI VOCÊ, NÉ RAUL SEIXAS), porque nada nesse mundo pode ser tão assustador quanto uma aranha de verdade, não tem nem comparação com uma coisa tão bonita quanto "conhecer biblicamente" uma mulher, cof cof
Tenho uma amiga que mandou a máxima: "Defendo a união pacífica das nossas aranhas, pois não sou a favor de brigas".
Que fique dito.
E a tarântula nem é venenosa, sabem?


6. Darth Vader sem máscara


Eu sempre pedia pro meu pai avançar a fita nessa cena, achava aterrorizante.


7. Esta capa de Madrugada dos Mortos



O QUE SÃO ESSES ZUMBIS MARATONISTAS, NÃO É MESMO?
Eu era um bebê em 2004, me deixem ter medinho de filmes bobos.


8. Este filme chamado Apanhador de Sonhos

QUE BICHO FEIOOOOOOO
Lembro que assisti a esse filme com meus pais em casa (QUE PAIS IRRESPONSÁVEIS, PUTA MERDA) e fiquei vários dias sem dormir só imaginando algum alienígena entrar no meu quarto e me matar, sei lá.
O filme é uma merda, inclusive. Assisti outro dia quando pensei nesse post.


9. Música do Arquivo X

Os pelos da minha nuca quando começava a música do Arquivo X ficavam lá no alto, mais altos que qualquer torre que vocês já tenham visto na vida. Porque eu sabia que já era hora de dormir, sabia que aquela série não era pra mim, que coisas horríveis aconteceriam dali em diante.



10. Fotos de artistas mortos

Uma vez minha prima fez o favor de me mostrar fotos do Kurt Cobain morto num site especializado nisso, tudo isso pra dizer "viu como não é bom ouvir rock? Todo mundo que ouve rock é um cheiradão que vai morrer com a cabeça estourada". Naquela época me pareceu um bom motivo pra não cheirar cocaína.
O mesmo site tinha fotos dos pedaços dos Mamonas Assassinas e do avião onde eles estavam.


11. Menina do Exorcista

A Erika, quando fez a blogagem coletiva no blog dela, também citou essa figura. Eu ainda morro de medo dela, ainda me cago todinha só olhando a foto dela, mas estou convencida que lerei O Exorcista um dia, e talvez veja o filme com mais calma depois (talvez).


12. Esse episódio de Coragem, o cão covarde


Esse desenho não pode ter sido feito para crianças, isso não é possível. Eu não como berinjelas até hoje por causa desse episódio, não gosto nem de passar por elas no supermercado.


13. Bate-bola

Pra quem não sabe, o Rio de Janeiro tem uma tradição ridícula onde, durante o carnaval, algumas pessoas (na maioria homens) se vestem dessa coisa horrível aqui e ficam andando pelas ruas da cidade literalmente batendo umas bolas por aí:

E aí que minhas primas mais velhas sempre diziam pra eu não olhar diretamente pra eles, que alguns usavam a fantasia só pra assassinar pessoas durante o carnaval, que os bate-bolas andavam armados com facas prontos pra esfaquear alguém que tivesse pela rua de bobeira enquanto eles estivessem passando. Uma vez, lá pelos meus 9 anos de idade mais ou menos, estava brincando na rua da minha vó quando vi três bate-bolas na esquina. Minhas primas - belas amigas - saíram correndo e me deixaram trancada do lado de fora. Nunca bati tanto num portão, e cada vez que eu batia os caras se aproximavam mais e mais, até que...
Fiz xixi nas calças.
E pude ouvi-los rindo por baixo das máscaras.

Ainda tenho muito medo de carnaval por causa disso, principalmente se eu estiver no Rio. Aqui em Manaus não existe esse costume (OBRIGADA MANAUS), então eu saio tranquila durante o carnaval e até vou pra uns blocos

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Esse post faz parte da blogagem coletiva do Círculo Secreto das Bruxas Blogueiras, um coven secretíssimo que reúne só as mais poderosas bruxas da antiga blogosfera. Fique de olho nos blogs participantes. Corvos estão voando e cartas estão sendo entregues.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Let's just forget everything said


Estou num período que as pessoas chamam às vezes de bad vibes. Tenho aula na faculdade cinco vezes por semana e, como de praxe, só apareci dois dias. Sei que é bem irresponsável faltar aula, e muitos já disseram que eu desperdicei três anos de estudos pra não dar valor ao meu curso: meu mais sincero foda-se, eu poderia cagar em cima dos livros de Direito. Não suporto olhar para a cara das pessoas que frequentam aquele prédio — temos belíssimas exceções, se é que me entendem —, não tenho saco nem pra tomar banho e já estou há cinco dias sem lavar meu cabelo. Já dá pra fritar batatas no meu couro cabeludo, alguém aqui tem noção do que significa isso?
Da mesma forma que os Alcoólicos Anônimos, tenho vivido um dia de cada vez. Talvez não com a mesma intensidade que os ébrios habituais, mas buscando sempre e desesperadamente um chiclete toda vez que o vício aperta. Os alcoólatras têm o álcool. Eu tenho alguma coisa que falta na mente, que ainda não sei o que é. Não é alguém pra chamar de mozão e ver séries no netflix. É alguma outra coisa que está me impedindo de seguir em frente, e que ainda não decifrei.
Começou bem pequena, como um nódulo no meio do cérebro. Nesse tempo, eu estava estudando pro vestibular e me imaginava no presente momento mais bonita e realizada espiritualmente. Obviamente eu me enganei. Estudava com aquele pontinho de luz brilhante pulsando na mente. Eu não sabia, mas o nódulo era intrínseco à minha existência, não dava pra simplesmente marcar uma cirurgia e tirar. Daí, passei no vestibular. Na realidade, passei em todas as provas que fiz naquele ano de 2013. Ela é a que ficou em sétimo lugar em Direito na UFRJ, diziam. E eu me orgulhava disso, porque nesse momento todo mundo se sente importante e verdadeiramente inteligente. Eu sou o futuro da nação. Eu vou ser alguém. Eu vou ter um emprego. Mas tinha uma paradinha que fazia comichão. Entrei na faculdade. Estava tudo muito bem, obrigada. Saí do ensino médio já uma mulher feita, com profissão regulamentada e nos conformes com a CLT. Uma família amorosa. Dinheiro da xerox. Um namoro bem meia-boca, mas quem não tem né? E nesse tempo eu tinha unhas grandes e me orgulhava delas, pintava de umas cores bem diferentes, então ficava coçando e coçando e coçando aquele pontinho de luz. Cresceu uma estrela, que na verdade era uma ferida. O que fazer agora? A gente vai ao Google e digita "estou com uma ferida no cérebro". E nesse momento, puta merda, você descobre que sua gripe é um câncer!!
Hoje eu poderia dizer que tenho uma úlcera no cérebro, se me permitem a péssima analogia. No dia-a-dia — até mesmo aqui — sou uma pessoa bem feliz e contente, que joga as piadinhas no ar e faz o papel de Zé Graça dos grupinhos e rodas de conversa. Mas em casa, no quarto escuro, só quero ligar o computador e abrir umas trinta abas com textos importantes que nunca vou terminar de ler. Fecho as janelas, desligo as luzes e finjo não existir. Arrasto os pés de um lado ao outro só pra fazer coisas muito importantes como comer e fazer necessidades básicas. Não lembro quando foi a última vez que acordei com vontade de me levantar da cama e cumprir meus afazeres. Por falar em cama, a minha está bagunçada há mais de um mês. Eu simplesmente vou jogando coisas nela — atualmente tem papéis com desenhos mal feitos, roupas que eu insisto em dizer que "estão limpas sim" e livros abertos em páginas aleatórias  — e quando vou dormir só faço afastar os objetos e deitar ao lado. Tem sido bem fácil fingir que estou bem, na verdade. No começo, as pessoas perguntam por que você emagreceu tão rápido, e dizem que você está até melhor porque está "menos inchada, né?". Depois as pessoas param de se importar e voltam a falar dos seus empregos, dos seus anseios, das suas briguinhas inúteis com namorados que provavelmente não vão dar em nada. E quando as pessoas voltam a falar de assuntos que só consigo acompanhar até a metade, volto a pensar na úlcera e na vontade que eu tenho dela se transformar num buraco negro e me engolir. Não se enganem: vocês convivem com doentes todos os dias, só não se dão conta. São pessoas que inclusive vão às mesmas festas que vocês, bebem e tiram fotos com os amigos, trabalham, dirigem, mas que por dentro estão um caco. Por dentro é como se não tivesse nada mais além de planos grandiosos e nenhuma vontade de concluí-los. Quer dizer,  na verdade queremos sim concluir todos os nossos planos, só não sabemos por onde começar. Daí ficamos perdidos na imensidão que é nossa depressão e perdemos o fio da meada.
Eu tô bem triste sim. Bem cansada, sentindo minhas forças serem drenadas todo dia. Lembrando que eu preciso muito, urgentemente, de um corrimão pra me segurar e aguentar esse giro. Porque novamente me vejo numa situação onde não me reconheço nesse espelho já que o reflexo mostra um retrato pior que o de Dorian Gray. Passei um tempão vivendo a vida de outras pessoas, fazendo coisas que não queria fazer só porque achava que seria saudável. Por isso vesti umas roupas estranhas e sorri numas fotos cujos flashes me cegaram. Não é saudável. Cada hora que passa eu tenho mais certeza que nunca vou me livrar dessa doença, só vou conseguir controlá-la, como venho fazendo desde os 14 anos. Então vou vivendo dias bons, dias ruins, dias mais ou menos. Tem dias que não vivo.

Enfim, só escrevi aqui porque minha próxima consulta ao psicólogo é no mês que vem, e não sei se consigo aguentar até lá.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Diálogos Absurdos dos Coletivos

Tem certos acontecimentos na vida de uma Fernanda que precisam ser guardados em algum lugar que não seja a mente. E se não me falha a memória, tive alguns diálogos realmente memoráveis ao longo desses vinte anos de existência. Até arrisco dizer que poucas coisas nessa vida são capazes de me fazer ter mais vontade de viver — porque no geral eu só quero estar morta mesmo —, e nada supera uma boa conversa absurda o suficiente para virar histórias que você vai contar pros filhos.

Vamos começar com uma vez, há três anos atrás, em que eu estava num ponto de ônibus, voltando pra casa depois do colégio. Ônibus é sempre uma coisa ótima, né?
Lembro de estar acompanhada de Bruno e c e r t a s  p e s s o a s, quando uma senhora que eu nunca vi na minha vida me abordou:
— Olha, eu acabei de voltar do SENAC — disse.
— Poxa, parabéns.
— Eles estão promovendo um dia de beleza grátis, inclusive foi lá que eu fiz a escova no cabelo. — disse isso balançando a cabeça pra eu ver que ela tinha feito escova mesmo — Ficou bonito, né?
— Ué, ficou.
— Passa lá então, você vai adorar.

CLARO NÉ, quando você vê uma garota com cabelo crespo dando mole na rua, você vai lá e tenta convencê-la a fazer uma escova pra ficar mais bonita. Porque ela não está bonita, né? /ironic
Sabem, nem quis dizer pra ela que minha vó é cabeleireira especialista em escovas.
E que eu estou 100% nem aí pra escova, como vocês podem observar nessa foto ao lado >>>>>
Depois disso meu ônibus passou e eu fui o caminho inteiro rindo igual a uma insana, mas o fato é que se isso tivesse acontecido há cinco anos atrás e não há três, eu provavelmente teria voltado pra casa chorando.

Mas ontem... OLHA, ontem foi de-mais. Se a minha vida já estava zerada, digamos que ontem eu a platinei.
Minhas aulas da faculdade são noturnas, e geralmente chego em casa quase 00h. Então, estou lá no ônibus, voltando pra casa com meus fones singelos e meus olhinhos cansados, quando senta ao meu lado um homem com idade aparente de uns sessenta anos. O cara tinha muitos cabelos grisalhos e usava uma camisa do Gentileza Gera Gentileza — pra mim essa gente gentil que bate palma pro sol só estava concentrada na zona sul do Rio de Janeiro, mas nããããão, essa merda parece ser uma epidemia nacional.
Aí eu olho pra ele, e o cara tá olhando pra mim e mexendo os lábios. Tiro um dos fones. E então...
— BOA TARDE.
Aperto o botão do celular e...
— Boa noite né.
— Boa tarde. — disse impacientemente.
— Senhor, são quase 23h.
— Mas eu quero falar boa tarde.
— Ué...
— Nossa, como os jovens são mal educados hoje em dia.
— ...

Passou um tempo, ele puxou a cordinha e desceu.
Tô aqui buscando os limites do universo, do espaço-tempo, do buraco de minhoca ou sabe-se lá o que faz uma pessoa me desejar "boa tarde" quase de madrugada. Eu ainda discuto com louco.

Teve uma outra que eu ouvi há um tempo atrás, mas o diálogo não é meu, então vou transcrever o que ouvi porque Fernanda também é fofoca. Eram dois caras conversando:
— Olha, eu não sei você mas achei Centopeia Humana bem sensacional do ponto de vista psicológico da coisa. Sei lá, é a podridão da espécie humana retratada num filme. Se for pra fazer uma comparação esdrúxula, posso até dizer que Um Lobisomem Americano em Londres está muito atrás de Centopeia Humana no quesito história.
(Nota da Fernanda: DISCORDO PLENAMENTE. Que absurdo comparar um filme tão bom com Centopeia Humana)
— Mas sei lá, cara, o lance desse filme é que tipo... é um beijo grego*, né.
— Que é isso?
— É tipo...
E falou baixinho pro resto do ônibus não ouvir, porque o papo já era estranho o suficiente.
— PORRA VÉI, QUE BOSTA HEIN. CABÔ COM A GRAÇA DO CENTOPEIA.
— Não posso fazer nada se minha mente trabalha na base da analogia.

*Vai com calma nesse link do beijo grego hein. É wikipédia, mas... HAHAHAHA

Eu nem lembrava disso, e pra mim esse diálogo nem fazia muito sentido, mas aí vi uma notícia do Omelete que diz, basicamente, que Centopeia Humana 3 vai ter centopeia de 500 pessoas. Sei lá, tenho vivido esse tempo todo num limbo de proteção materna  minha mãe não me deixa ver American Pie por dizer que é pesado demais para crianças — então nunca parei para procurar saber o que diabos era a centopeia humana e...
Quero minha mãe e minha infância de volta.
Mesmo.
Como alguém pode ter a ideia maligna de costurar a boca de alguém no ânus de outra pessoa???????????? E AGORA FAZER ISSO COM QUINHENTAS FUCKING PESSOAS?
Sinto que a humanidade falhou e continua a falhar, todos os dias, miseravelmente.

domingo, 5 de abril de 2015

Roteiro de uma peça bem ruim


QUINTAL DA CASA DA VÓ MATERNA - NOITE

Todas as personagens estão reunidas em volta de uma mesa redonda, posta no centro do quintal.

Sentada em uma cadeira azul, Tia Rosana inicia o diálogo da cena.

TIA ROSANA
Então, Fabiana, cadê seu namorado?

FABIANA
(engasga com a comida na boca)
Pois é, tia... A gente terminou já faz um tempo.

TIA ROSANA
Poxa, mas eu gostava tanto dele.

FABIANA
(sorri constrangida)
Acontece, né?

TIA ROSANA
Mas por que vocês terminaram? Ele era tão legal.

FABIANA
É meio complicado explicar pra vocês.

Entra em cena Tia Marcela.

TIA MARCELA
(fala alto e gesticula como se tivesse fazendo um discurso)
Mas a gente quer saber. E eu adoro detalhes, quero todos os detalhes!

FABIANA
Ele era meio parado. Antissocial. E eu nem sei se gostava dele mesmo. Acho que foi fogo de palha de adolescente, sabe?

TIA MARCELA
Mas esse fogo de palha durou quase quatro anos!!

Todos na mesa caem na gargalhada, menos Fabiana.
Entra em cena Maria, mãe de Fabiana.

MARIA
Eu gostava muito dele, pessoalmente falando. Era um rapaz distinto, respeitador, que combinava muito com você, Fabiana. Aturava suas manias, gostava de gatos assim como você, e sempre te presenteava com doces, o que você adora! Não entendo mesmo esse término tão repentino.

FABIANA
Não basta gostar de gatos e doces, né mãe? É preciso mais do que isso pra gostar de alguém, senão eu poderia me apaixonar por qualquer pessoa a qualquer momento.

TIA ROSANA
Essa fase da juventude é muito boa, hein? Cheia de namoradinhos, e com esse corpão todo deve fazer o maior sucesso na faculdade com os meninos. Agora é partir para o próximo namorado e seguir em frente, hein?

FABIANA
(miga, tenta se enterrar num buraco que dá tempo ainda)
Eu bem que gostaria de fazer sucesso com "os gatinhos", mas não sei se estou num momento pra gatinhos, sabem?

MARIA
Mas como assim?

FABIANA
Então...

TIA ROSANA
O que você procura num relacionamento, Fabi?

MARIA
É bom nem perguntar... Nessa idade as jovens só pensam em uma coisa: aventura.
(gargalhada histérica que envergonha a filha)

Todos riem em volta da mesa.

FABIANA
(visivelmente irritada com esse lance todo de reunião de família)
Eu não procuro um relacionamento, na verdade. Tô estudando tanta coisa, fazendo faculdade, preocupada em passar num concurso bom o suficiente pra me sustentar até eu conseguir a carteira da OAB, essas coisas... Não sei se quero namorar quem quer que seja.

TIA MARCELA
Mas todo mundo tem suas preferências.

FABIANA
Sim, eu sei. Mas as minhas...
(fala alto)
Ah gente, eu não quero comentar, ok?

MARIA
Sua tia só fez uma pergunta, seja educada.

TIA ROSANA
É, e fica tranquila. Todas nós já tivemos sua idade, sabemos como é. Seremos compreensivas.

FABIANA
(bufando, querendo enfiar o garfo em sua mão nos olhos de alguém)
EU TERMINEI COM O JOAQUIM E ESTOU AFIM DA AMIGA DELE, OK? EU NÃO GOSTAVA DE TRANSAR COM ELE, ME SENTIA TENSA, NÃO GOZAVA, NÃO ERA BOM, NÃO SEI O QUE EU ESTAVA PENSANDO QUANDO RESOLVI NAMORAR UM HOMEM.
(fala baixinho)
Talvez... se ele não tivesse toda aquela barba, quem sabe?
Não, Fernanda - OPSSS FABIANA, ISSO! FA-BI-A-NA - esse não era o problema...
Mas tinha o anticoncepcional, também. Esses hormônios não são de deus...
E a família perfeita dele? Não tinha um gay naquela família, isso nem é estatisticamente possível.

Todos ficam tensos na mesa.
Passam-se alguns minutos.
Só se ouve o som dos talheres nos pratos.

TIA ROSANA
Tem sobremesa, gente. Vocês querem?

Todos concordam e levantam para pegar a sobremesa.

Baseado em fatos reais. Mas na vida real não tinha sobremesa. O que é uma pena...