quinta-feira, 4 de junho de 2015

Esse probleminha insuportável chamado carência

Antes de mais nada, queria dizer que não morri. É só que tenho objetivos loucos de dominação mundial através da leitura de textos enfadonhos do Direito, então fiquei esses dias tentando provar pra mim mesma que eu conseguiria tirar um 10 na prova de Direito Penal e acabei não postando nada no blog, nem respondendo aos comentários. Cheguei bem perto, como vocês podem ver nesse acontecimento aqui.
Pois bem, eu sou o tipo de pessoa PEDANTE que não consegue falar sem ter plateia. A simples ideia de treinar para um seminário sem ter uma alma pra me ouvir corta meu coração de uma forma que vocês não imaginam. Se não tiver ninguém em casa, eu ponho minha gata no sofá e falo: AGORA VOCÊ VAI SABER UM POUQUINHO SOBRE LICITAÇÕES E CONTRATOS, SENTA AÍ CAPITUUUU. Ela faz MIAU e vai embora, lógico, porque não dá pra controlar gatos e nem pessoas do signo de Áries e Sagitário, sabem? Então, se vocês me virem algum dia na rua, vão reparar que sou aquela pessoa que fala e gesticula freneticamente contando um caso qualquer de não muita relevância, para mais ou menos 10 pessoas. I am the Zé Graça™.
Lembro que quando resolvi criar um blog, minha mãe virou pra mim e falou "Vai ser tipo um diário, né? Com seus desabafos que só você vai ler etc." e eu fiquei ofendidíssima e respondi

MAS É CLARO QUE NÃO, MEU BLOG VAI SER O MAIS GRANDIOSO DO MUNDO E TODO MUNDO VAI LER E ME SEGUIR, E VOU FUNDAR UM NOVO CRISTIANISMO QUE SE CHAMARÁ FERNANDISMO 

Algumas coisas dessa frase são mentira, claro.

De qualquer forma, criei o blog e cá estou contando isso pra vocês.
E eu, na realidade, comecei a reparar que, embora eu esteja mesmo rodeada de um monte de pessoas que ouvem minhas histórias - com excessiva atenção, devo acrescentar, pois não são boas histórias -, sinto-me paradoxalmente sozinha, no fim das contas.
É bem duro admitir isso, principalmente pra mim. Durante toda minha vida, tentei passar a imagem de que sou forte e autossuficiente, ou seja, que não preciso de nada nem ninguém. Depois que comecei a me alinhar ao movimento feminista, mais ainda. Qualquer mero sinal de fraqueza meu era respondido com um VRÁÁÁÁÁÁÁ na minha mente. Porque você tem que ser forte, né? Tem que ser a durona, caminhoneira que faz tatuagem no braço musculoso e fala grosso pra toda e qualquer pessoa que te ameaça. E passei um tempão dando vrá em mim mesma, até que...
Bem.
Descobri que sou carente mesmo.
Frágil.
Uma franguinha.
Não me refiro a namorico nem nada, embora eu seja aquela mulher que espera um romance tipo os da Jane Austen: puro, verdadeiro e casto. Mas a carência é de mundo mesmo, de vivência. O mero sinal de que sou só uma poeirinha no universo me deixa triste. Vejam bem, é que parecem existir tantas coisas grandiosas no mundo, tanta coisa para aprender do universo e passar adiante, que me sinto pequena. Não gosto de ser pequena - meus 1,58cm não me satisfazem e eu uso coturno pra parecer mais alta, falo mesmo. E, por conta disso, tenho tentado incessantemente chegar todos os dias aos meus limites mentais, para que um dia eu me sinta grande o suficiente. Porém, sei que esse dia nunca chegará. É tipo... Sabem quando Platão resolveu que seria uma boa contar a história de Sócrates, que morreu sem ter escrito nada? Tem uma passagem do livro de Platão que diz assim:
[...] aquele homem acredita saber alguma coisa, sem sabê-la, enquanto eu, como não sei nada, também estou certo de não saber.
A filosofia, meus caros, é uma coisa muito transante e sensual. Fale disso comigo e eu vou querer ser sua esposa para todo o sempre.
Mas voltando à filosofia clássica, o que Platão quis dizer que Sócrates quis dizer com essa frase é: só sei que nada sei. E todo mundo fica quotando o "só sei que nada sei" mas essa frase nem existe no livro do Platão, se vocês querem saber.
FERNANDA TAMBÉM É CULTURA.

Onde eu tô querendo chegar?
Ao fato de que nenhuma verdade jamais será absoluta no mundo. Isso me deixa EM PÂNICO.
Porque fico a porra da madrugada inteira lendo um monte de textos e fazendo mil reflexões na minha mente, participando de grupos de debates, vendo filmes cujo enredo não quer dizer absolutamente nada além de "vamos botar essas imagens de natureza morta aqui e dizer que é cult" e pra que?
Pra ser grande.
Pra saber alguma coisa.
(Acho que o maior exemplo desse tipo de filme é Árvore da Vida, preciso fazer um post sobre ele no tópico de filmes ruins)

Criei o costume de deixar um monte de aba aberta com textos pra ler na internet. E esse costume maravilhoso fez meu notebook dar tela azul outro dia porque tinha umas 50 abas abertas e só o que me ocorreu foi:


Quanto mais estudo, mais vejo que talvez eu nem seja essas coca-colas todas. Ainda tenho tanta coisa pra aprender, e não sei como serei daqui há 15 anos!!! Isso me assusta. Quero ser inteligente, e conhecer tudo sobre todas as coisas do mundo, nem que seja só um pouquinho. Quero ter filhos, ser uma boa mãe e dizer pra eles "VOCÊ ESTÁ FAZENDO MERDA, O CAMINHO É ESSE AQUI, CRIATURA" (?). E não sei se serei capaz de fazer isso de forma sensata, porque a impressão passada a mim é que serei o tipo de mãe que abraça os filhos o tempo todo e não quer que eles cresçam nunca porque tem medo do que o mundo pode fazer com eles - tipo eles casarem e esquecerem que você existe.

"Mãe, me solta, eu não tô conseguindo respirar. MÃE. MÃE EU REALMENT-"

Então, sei lá, só gostaria de não sofrer por antecipação e não sentir o vazio existencial da vida mundana.
Tá tão difícil :(

9 comentários:

  1. Eu não sei como é que você fez isso, mas eu comecei o texto rindo pacas e terminei querendo te dar um abraço dizendo que cara. Tipo assim. Somos duas. Vem cá bora chorar junto _o_

    Cada vez que eu paro pra pensar no tamanho da minha insignificância nesse mundão de minha deusa - normalmente esses momentos ocorrem em madrugas de insônia, acho que todo já estivemos lá - fico até injuriada.

    Sobre isso aí da verdade absoluta, MANO ISSO ME DA UMA AFLIÇÃO. Eu sou dessas que fica discutindo teorias de conspiração e teoria disso e daquilo por horas e horas. Comigo. Mesma. Porque eu e eu simplesmente não conseguimos entrar em consenso sobre várias coisas e nossa como isso me agonia.

    Pelo menos é bom saber que eu não sou a única.

    Beijo!

    P.S.: gente eu também sempre abro mil abas com textos e meu computador da pau <3

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  2. O seu post me animou um pouquinho, apesar de eu estar desanimada com outras coisas não tão relativas... E poxa, eu também sofro muito por antecipação. Na verdade, meu pior defeito é não me importar muito com o destino, eu apenas faço o que tô afim de fazer hoje. Ou seja, será que me falta ambição? Minhas ambições não vão muito além da normalidade sabe. Acho que isso dá até pra perceber no meu blog. Enfim, nem vou me aprofundar se não vou entrar num estudo do "eu" lascado aqui. E admiro sua vontade por um tema que (PARA MIM) é tão doido como Direito. É um curso que eu passaria longe, junto com aqueles de Exatas e afins! Hauhahua! Adorei seu texto, de verdade! <3
    4sphyxi4.blogspot.com.br

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  3. Tenho muitas coisas a dizer sobre seu post e muita dificuldade em fazer isso... Mas começando do começo preciso dizer que eu gostei tanto do seu layout... Fiquei uns 30 segundos parada só olhando pra ele porque me lembrou da época em que a galera fazia templates free pela blogosfera afora e etc, etc...
    Segundo: você escreve muito bem! Adorei! E eu sou chata com a escrita alheia, hein!!
    Agora comentaremos sobre o post em si porque eu te entendo, toca aqui! As vezes eu começo a pensar no mundo e no universo e na imensidão de tudo e em tudo o que a gente precisa ou pode saber sobre isso tudo, *pausa para respirar* e percebo que eu, como uma mini pessoinha ainda 2cm menor do que você não vou conseguir absorver nem 0,1% disso tudo e, ainda assim, o que eu vou absorver pode estar completamente errado pelo simples fato de que nada é completamente certo.
    Eu adoro falar, falo até sozinha (bem loca no meio da rua com todo mundo me olhando, aí percebo que tá estranho e fingo que to cantando), mas tenho a necessidade de contar pra todas as pessoas tudo o que eu penso ou falo pra mim mesma porque acho que minha ideias precisam de platéia, mesmo sendo umas ideias bem meia-boca. Acho que sou carente também!!

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  4. Como alguém que oscila frequentemente entre egocentrismo extremo e auto estima inexistente, eu acho que posso dizer que entendo o sentimento do post. Na verdade esse foi um daqueles posts que te representam tanto que eu nem tenho exatamente o que comentar, só aplaudir no cantinho e dar um abraço : ~

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  5. Gostei do post. Essas reflexões serão eternas mesmo, mas creio que são bem importantes até pra crescermos mais. O problema é quando ficamos só pensando nisso e esquecemos do presente, como já dizia Dumbledore haha ;D


    Red Behavior

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  6. Oi!
    Calma, calma!!
    Também me sinto assim. Às vezes escrevo no blog com uma vontade louca de fazer a diferença na vida de alguém, porque acho que essa é uma maneira de ser lembrada.
    Tenho esse desejo de ser mais também, tenho medo de ficar na medíocridade.
    Odeio ser meio termo, ser "boa". Eu queria ser ótima em várias coisas e no entanto sinto que sou ruim em quase tudo... haha
    Tenho um complexo de achar que não tenho nada de especial e nem nenhum talento relevante.
    Mas viver assim é horrível. Então busco varrer essas coisas da minha cabeça antes que eu entre em depressão..

    Fica bem! Seu blog sempre me anima e quando eu venho aqui não sinto que estou cumprindo mais uma obrigação. Então de certa forma você faz diferença pra mim.

    Beijos
    O Outro Lado da Raposa

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  7. O que dizer quando se faz um texto gigantesco saudando o texto da coleguinha e o blogger simplesmente trava, recupera a página e pro seu desespero, não é publicado? #cry

    HAHAHAHA

    Juro que tava dando mó valor e dando todo meu ponto de vista a essa nossa mania de querer tudo ao mesmo tempo, à supervalorização do status, da beleza, da inteligência e até da ondinha (que você citou bem) de sermos cults e blasês, mas caraio faltou fôlego pra lembrar de tudo e tentar recuperar =/ HAHHAHa

    Vou esperar pelo próximo texto e tomar vergonha na cara pra dar ctrl C antes de publicar comentário ¬¬

    Beijão, Fernanda =*

    Faroeste Manolo
    Página Facebook

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  8. Eu também cheguei a esta conclusão há uns dias kkkkkkkk é triste admitir, mas é verdade. Eu não sei porque, mas a gente tem essa mania de querer sempre ser mais e mais e mais e... no final das contas a gente só está sonhando no nosso próprio mundinho, só... bem, pelo menos comigo é assim. Na verdade nós todos somos poeirinhas no universo. Ultimamente eu penso assim, que nós todos somos só míseros amontoados de células vivendo em um planeta do tamanho de um caroço de cereja dentro de uma galáxia enorme que está dentro de um universo muito maior que esta galáxia, então porque eu tenho que ser grande, se ninguém é? *momento filosófico*

    Sobre o feminismo, eu sou aquela feminista que fica calada em 80% das vezes, não por falta de coragem ou por ter medo, mas por ser antissocial mesmo. Acho que dá para contar em uma mão as vezes que discuti sobre feminismo em público.
    Simplesmente eu odeio discutir com alguém que se acha melhor que todo mundo, daí eu deixo a pessoa afundando no próprio preconceito enquanto eu nado 100 metros rasos sem segundos na piscina de recalque das inimigas.

    Acho que isto é uma crise existencial. Eu ultimamente ando tendo todos os dias, porque minha vida está parada então eu estou ficando quase louca kkkkkkk

    Beijos!

    madessy.com

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  9. Esse final de semana eu li um livro (capaaz?) que me fez pensar sobre isso.
    É de uma jornalista que morre e deixa uma lista com o nome de 100 pessoas pra sua colega de trabalho e diz que aquela é a matéria da vida dela e que gostaria que ela escrevesse em sua homenagem. Só que quando a jornalista ~viva~ começa a ir atrás dessas pessoas descobre que 1) não há nada em comum entre elas e 2) não parece haver nada de especial em suas histórias. Até que finalmente ela começa a conhece-las mais a fundo e a ver que todas elas, de forma simples e sem nenhum reconhecimento, tem um valor enorme pras pessoas que as rodeiam. São pessoas comuns, com vidas comuns, mas com muitas histórias pra contar e que é isso que elas tem em comum, suas simples, porém importantes histórias.

    Eu meio que tenho isso de me perguntar - puta merda, to com 24 anos e o que que eu alcancei? - e a história desse livros me fez pensar que eu não preciso ganhar um oscar ou um premio nobel pra ser alguém especial e ter uma boa história. Enfim, fiquei em paz com a minha trajetória :)

    Agora vendo a coisa de outro pronto, eu escrevo alguns posts mimimi/desabafo e sempre penso que as pessoas vão me considerar um pouco dramática ou até recalcada, mas a real é que esse espaço serve pra isso né? falarmos o que nos der na telha e não só o que os outros querem ler.

    Não sei se fiz muito sentido :~
    Beeijo

    http://resenhandosonhos.com

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