sábado, 15 de agosto de 2015

Vamos Falar de Filmes Ruins #4

Nesse meio tempo em que passei fora, houve muito a dizer. Fiz mudança de uma casa pra outra, perdi um saco cheio de coisas importantes que nunca nessa vida vou recuperar (agendas com valor sentimental e tudo o mais), mas também vi alguns filmes, pois ninguém é de ferro. E se tem algo que me acompanha nessa grande jornada estranha que é a vida são filmes ruins.

Ontem foi um desses dias em que simplesmente cansei de fazer tarefas importantes como jogar conversa fora no Facebook pra dar atenção à minha mãezinha que chegou em casa com filmes novos.

- Olha, comprei esse filme aqui porque achei bem interessante.
- Legal, é com aquele ator que sempre faz papel de gente esquisita e com fobia social, né.

Duplo: Um filme que consegue ser PIOR que Dogville - e esse é um filme bem ruim
Consegue ser pior que a visão do Nicolas Cage em todos os desenhos da Disney

Achou bizarro? Veja mais aqui.
Antes que me crucifiquem por ter falado mal de Dogville e de toda a genialidade pseudo cult do Lars Von Trier, devo dizer que: sim, não tenho paciência pra filme que não tenha linguagem no mínimo próxima do mainstream. Não faço faculdade de cinema e não sou obrigada MESMO. Digo com todas as letras que o único filme que gostei do Lars Von Trier foi Ninfomaníaca, e falo isso sem peso no coração porque OLHA, SÉRIO, QUE PUTA FILME CHATO ESSE DOGVILLE. 

Ok, vamos falar de Duplo. A premissa é: um cara, Simon James (Jesse Eisenberg), está apaixonado por sua colega de trabalho Hannah (Mia Wasikowska - fui dar um Google nesse nome porque ô nome difícil, né minha filha), mesmo sem nunca ter falado com ela. Simon não tem amigos, não leva jeito pra interações sociais simples, não é notado no trabalho, e até sua mãe, uma senhora idosa e senil, não gosta dele. Ou seja, o cara está na merda. Como se não bastasse, um belo dia chega ao trabalho um novo empregado totalmente diferente dele: extrovertido, amado pelos colegas, com atitude e jeito para mulheres. É CLARO que o cara, James Simon, é um duplo dele - algo tão, mas tão explorado no cinema que o roteiro parece ter sido uma colcha de retalhos de uns mil outros filmes sobre o gênero. A tensão começa no momento em que Simon é o único que vê a semelhança entre ele e James.


O começo é extremamente empolgante, confesso, pois o cenário é atemporal e futurista. Porém a genialidade disso passa longe, já que parece ser uma cópia mal feita de Laranja Mecânica. A música também é um tanto quanto curiosa: escolheram várias músicas japonesas que lembram a década de 70, e elas deixam a narrativa muito engraçada. Ok, essa parte é bem legal. E muitas das vezes o som dos violinos se mistura ao som de máquinas, ruídos urbanos e outros sons depressivos que compõem a imagem.

Mas, mesmo com pontos positivos, por que Duplo entrou na sessão do Vamos Falar de Filmes Ruins?
Resposta: porque eu quis.
Não, brincadeira!
Porque Duplo deixa no ar uma série de perguntas sem resposta ao longo de 90 minutos. Talvez isso seja o que mais me irrite em filmes que fogem à lógica mainstream (não que filmes mainstream não estejam sujeitos a levantarem perguntas sem resposta, vide Inception e seu final que me dá raiva, mas isso é mais frequente em filmes fora do grande circuito comercial). Não tem nada que eu deteste mais que um monte de simbologia que aparece na tela e você fica tentando adivinhar o que tudo isso quer dizer. E às vezes não quer dizer NADA.
Tem umas cenas em que aparece uma galinha sendo morta ou sei lá, o filme acabou e ainda não vi ligação alguma da galinha com o resto do filme. Também introduziram uma senhora muito. estranha. do mesmo asilo da mãe de Simon que virava pra ele e dizia algo como "Você é um rapaz muito esquisito" e essa foi a grande frase de efeito dela (?????). Nossa, aparecem outras coisas tão bizarras que não tenho nem como descrever para vocês de forma fidedigna: um padre que mais parece o anticristo, pessoas bizarras que trabalham para a polícia, a própria Hannah que parece não comer direito há meses.
Fora isso tem algo que me irrita muito em Simon: ele não gosta simplesmente da Hannah. Ele a persegue. Observa a moça dia e noite. Mora na frente da casa dela e tem UM MALDITO TELESCÓPIO APONTADO PRA JANELA DELA. Ele vasculha o lixo dela!!! Isso não é gostar, isso é ser stalker.

Vejam, muita gente assistiu e disse NOSSA, QUE FILME GENIAL. Sinceramente? Nessa temática de duplicidade e loucura, sou muito mais Fight Club que pelo menos tem o Brad Pitt sem camisa  com a cara toda arrebentada batendo nos outros - não há tantas definições de paraíso equivalentes.

+ Brad Pitt
- Jesse Eisenberg